Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 01 de setembro de 2019 às 19:35

A UCCLA e a CPLP

Com recursos mais escassos, a UCCLA desenvolve uma actividade muito superior à CPLP, não sendo, certamente, indiferente, para tal facto, o posicionamento político e multicultural do seu secretário-geral.

Declaração de interesses: sou particularmente amigo do Dr. Victor Ramalho, secretário-geral da UCCLA - União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, desde o nosso tempo de estudantes, no liceu do Huambo, em Angola, país onde ambos nascemos e crescemos.

 

Mas acredito que tal facto não me impede de fazer uma análise objectiva comparada da actuação da UCCLA e da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

 

A UCCLA realizou, recentemente, no Dia de África, o primeiro Fórum de Economistas das Cidades de Língua Portuguesa, em que participaram vários economistas de renome, dos diferentes países de língua portuguesa, e onde foi decidido criar a Associação de Economistas de Língua Portuguesa.

 

Com recursos mais escassos, a UCCLA desenvolve uma actividade muito superior à CPLP, não sendo, certamente, indiferente, para tal facto, o posicionamento político e multicultural do seu secretário-geral.

 

Mas a explicação global não pode ter esta simplicidade.

 

Como já afirmei, em artigos de opinião anteriores, considero a CPLP um enorme equívoco, do qual não tem resultado nenhum benefício para os países que a integram.

 

E é pena, porque os parâmetros iniciais, que estiveram na base da sua constituição, são positivos, e as potencialidades desta organização podiam ser imensas.

 

Desde logo, a justificar esta inércia, a indiferença e a ausência objectiva de apoio e intervenção do Brasil, o país mais populoso e mais rico da comunidade, a grande potência da América Latina.

 

E este desinteresse ocorreu sempre, desde o início, com diferentes lideranças políticas do Brasil, incluindo o PT - Partido dos Trabalhadores, de Lula, que produziu a maior quantidade de juras de amor e de colaboração com Portugal e com os restantes países da CPLP.

 

As crises económicas e financeiras, com que se debatem todos os países africanos da CPLP, têm enfraquecido, ainda mais, esta organização.

 

Portugal, com o seu complexo de país colonizador e com restrições orçamentais elevadas, também se tem revelado incapaz de liderar um processo de afirmação desta comunidade, criando uma rede sólida, de influência política e económica.

 

O grande número de observadores, que se têm agregado à CPLP, em vez de representarem uma possibilidade de maior afirmação desta comunidade, veio enfraquecê-la, com a proliferação de acordos políticos e económicos bilaterais, entre estes países e os vários membros da CPLP.

 

Com uma CPLP inoperante, e pouco prestigiada, Portugal não tem uma vertente atlântica, na sua estratégia de globalização, e perde força no fórum europeu.

 

Assisto a tudo isto, com uma enorme tristeza.

 

E, neste sentimento, sou acompanhado, por todos os que, como eu, partilham, por nascimento e opção, duas culturas do espaço lusófono.

 

Resta-nos, a pequena consolação da actividade que a UCCLA vai desenvolvendo. 

 

Gestor de Empresas 

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

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