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Luís Todo Bom - Gestor de Empresas 04 de Agosto de 2013 às 20:46

A curva de aprendizagem no processo de internacionalização

A opção pelas exportações, sendo a de menor risco, é também a opção mais frágil em termos de garantia de presença nos vários mercados, por força do aumento da competição internacional

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De acordo com a literatura, os activos que criam uma vantagem comparativa no processo de internacionalização são: Tecnologia proprietária, "know-how" de gestão, rede de distribuição multinacional, acesso a matérias-primas escassas, economias de escala de produção, economias de escala financeiras e posse de uma marca ou notoriedade comercial forte.


No universo empresarial português, maioritariamente PME, com excepção da PT, EDP e GALP, nenhuma empresa detém de forma significativa estes activos, tendo, no entanto, necessidade de se internacionalizar.

As respostas encontradas pelas empresas portuguesas têm sido:

• Adoptar o modelo de menor risco de entrada nos mercados externos, ou seja, a exportação directa de Portugal.

• Escolher estratégias de "nicher" em termos de mercados, produtos e serviços, com alguma incorporação de tecnologia.

• Concentrar os investimentos na constituição de parcerias ou empresas locais em países em estádio de desenvolvimento empresarial e tecnológico menos sofisticado, em especial nos países africanos de língua portuguesa.

Neste processo de selecção de mercados, produtos e serviços e modos de entrada, as empresas portuguesas tendem a negligenciar dois aspectos essenciais:

• A interacção cultural com as empresas, as instituições e os cidadãos dos países de destino.

• A longa "curva de aprendizagem" ligada ao processo de consolidação da presença empresarial nesses mercados, face à sofisticação das economias, à competição global e à importância da cultura dos diferentes países.

Se conjugarmos estes aspectos, concluiremos que:

• A opção pelas exportações, sendo a de menor risco, é também a opção mais frágil em termos de garantia de presença nos vários mercados, por força do aumento da competição internacional.

• A opção de "nicho" de mercado é sempre transitória e conjuntural mantendo-se as vantagens competitivas durante um espaço de tempo limitado.

• A opção de entrada de maior perenidade no tempo e de garantia de captura de valor consiste no investimento directo ou em parceria num novo mercado.

A opção de "nicho" de mercado é sempre transitória e conjuntural mantendo-se as vantagens competitivas durante um espaço de tempo limitado.

Este último processo, de maior risco, exige especiais cuidados no âmbito da interacção cultural e da gestão da "curva de aprendizagem", em termos financeiros e operacionais.

Se olharmos para as variáveis do âmbito da cultura, a língua, a religião, os valores e atitudes, a organização social, a educação e a tecnologia e cultura material e considerarmos que o processo pró-activo de interacção cultural exige acções de aprendizagem, de inter-relação entre as diferentes culturas e de adaptação, e analisarmos alguns investimentos de empresas portuguesas em países africanos de língua portuguesa, rapidamente constatamos a ligeireza com que estes temas foram e são tratados.

E com estas bases erradas de estudo e decisão, o sucesso empresarial destas acções de internacionalização é impossível.

Professor associado convidado do ISCTE
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