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Luís Todo Bom - Gestor de Empresas 04 de Maio de 2014 às 20:00

Empresas familiares - realidade e preconceito

As empresas familiares constituem uma realidade marcante, em termos de todos os indicadores económicos, financeiros e sociais, nas sociedades desenvolvidas, ocidentais e orientais, incluindo todos os países europeus.

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Actuam em unidades empresariais de várias dimensões, em vários sectores de actividade, são responsáveis por níveis consideráveis de emprego, produção, exportações e têm também uma presença regional significativa.

 

De acordo com a literatura, numa empresa familiar, verifica-se, cumulativamente:

 

• Controlo da propriedade por dois ou mais membros de uma família ou de uma parceria de famílias.

 

• Influência estratégica pelos membros da família, na gestão da empresa.

 

• Preocupação na Empresa, pelas relações de família.

 

• Ambição de continuidade da empresa na família, através das gerações seguintes.

 

Por força desta relação intrínseca entre Empresa e Família, as empresas familiares detém:

 

• Visão de longo prazo (continuidade da família)

 

• Resiliência, em especial em épocas de crise

 

• Condicionantes ao crescimento, para manutenção do controlo da família.

 

• Utilização do património da família para garantia de responsabilidades da empresa.

 

• Compatibilização entre a Estratégia da Empresa e a Estratégia da Família.

 

• Incorporação dos "valores" da Família na Empresa.

 

Este conjunto de especificidades torna as empresas familiares organizações fiáveis, consistentes e merecedoras da confiança dos seus clientes, fornecedores, banca, colaboradores,…

 

Existe, no entanto, um conjunto de preconceitos sobre estas entidades que explicam a razão pela qual, empresários, quadros e gestores destas empresas negam a sua natureza familiar (como o apóstolo Pedro negou conhecer Jesus!), nomeadamente os seguintes:

 

• Os empresários familiares comportam-se como "patrões" (associando um carácter muito depreciativo a esta classificação), colocam os filhos e sobrinhos incompetentes nas empresas, impedindo a ascensão dos quadros qualificados que não pertencem à família.

 

• As empresas familiares são "desnatadas" para aumento do património da família.

 

• Os empresários e gestores encontram meios imaginativos para facilitar o despedimento dos seus trabalhadores promovendo a sua rotação.

 

Este conjunto de situações pode, de facto, acontecer em algumas empresas familiares de muito pequena dimensão, mas são raras em empresas de média e grande dimensão, onde existem "Protocolos" e "Conselhos de Família" que definem os conflitos e áreas de fronteira entre a Empresa e a Família e onde a gestão da empresa segue as melhores práticas internacionais.

 

Os detentores de empresas familiares não têm desenvolvido os esforços necessários para combaterem estes preconceitos, através de informação rigorosa e pedagógica sobre a sua realidade.

 

Esperemos que o "Código de Bom Governo das Empresas Familiares" que o Instituto Português de Corporate Governance (IPCG) está a preparar, possa suprir essa insuficiência.

 

Professor Associado Convidado do ISCTE

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