Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 04 de agosto de 2019 às 19:30

Falhas nos processos? Procurem-se os culpados!

A baixa sofisticação tecnológica dos processos, na nossa indústria e serviços, está na base da nossa baixa produtividade, que condiciona a nossa capacidade exportadora.

Na construção dum modelo de gestão estratégica duma organização, procuramos responder, de forma estruturada e sequencial, às seguintes questões: "Onde estamos?", "Para onde queremos ir?" e "Como lá chegar?".

 

Na resposta ao "Como lá chegar" estão os Processos, ou seja a parte operacional da estratégia.

 

Sumantra Ghoshal elegeu os Processos, como variável estratégica essencial, quando apresentou o seu modelo "Para além dos 3 Ss (Strategy, Systems, Staff), os 3 Ps (Purpose, Process, People)".

Nas aulas de Gestão da Inovação e da Tecnologia, que leccionei, num Mestrado do ISCTE, procurei, sempre sensibilizar os meus alunos para a importância da Inovação nos Processos.

 

A Inovação nos produtos é mais sexy, mas a melhoria da competitividade, da grande maioria das nossas empresas, passa pela inovação nos processos.

 

A baixa sofisticação tecnológica dos processos, na nossa indústria e serviços, está na base da nossa baixa produtividade, que condiciona a nossa capacidade exportadora.

 

As insuficiências, ao nível da gestão de operações, logística, sistemas de informação operacionais e gestão de projectos, de algumas das nossas organizações, são tais, que impedem o seu crescimento e afirmação internacional.

 

Com este panorama, ao nível das nossas empresas, seria de estranhar que o actual governo, com uma ideologia de extrema - esquerda, e tecnicamente muito mal preparado, não apresentasse grandes lacunas, nos processos ligados às suas decisões políticas.

 

O actual governo adoptou, no seu modelo estratégico, a seguinte aproximação:

 

- Culpar o anterior governo na análise do "Onde estamos".

 

- Adoptar uma estratégia de marketing agressivo para o "Para onde queremos ir", prometendo tudo a todos.

 

- Disfarçar os insucessos no "Como lá chegar", por total ineficiência e incompetência na gestão dos Processos, tentando encontrar culpados externos para cada um destes insucessos.

 

A floresta continua desordenada e os incêndios mantêm-se a níveis de devastação inaceitáveis, por culpa dos autarcas.

 

O Sistema Nacional de Saúde apresenta grandes deficiências, a culpa é da Ordem dos Médicos que impede a formação de mais médicos.

 

O sistema de incentivos empresariais continua a privilegiar projectos tradicionais, a culpa é dos empresários que não apresentam projectos inovadores.

 

O sistema ferroviário está em colapso total, por falta de investimento, a culpa é do presidente da CP que não percebeu que a solução estava à vista de todos, e passava por colocar, de novo, em operação, material circulante obsoleto, com riscos de segurança evidentes.

 

A conclusão a retirar desta aproximação teórica do actual governo, é simples:

 

Os professores de gestão de operações e de gestão da inovação, devem ensinar aos seus alunos, o seguinte:

 

"Quando detectarem falhas, nos processos das vossas organizações, não procurem resolvê-las, adoptando as melhores tecnologias disponíveis.

 

Procurem culpados". 

 

Gestor de Empresas

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

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