Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 04 de março de 2018 às 18:10

Investimento estrangeiro em Portugal

Esta ferramenta que ensinava aos meus alunos de Projeto Empresarial do ISCTE, é de uma enorme utilidade para a avaliação, tecnicamente rigorosa, deste tema, e para focar a atuação das nossas agências governamentais.

Ordem dos Engenheiros, através da Comissão de Especialização em Engenharia e Gestão Industrial, de que sou coordenador, organizou, recentemente, uma conferência sobre "O Investimento Estrangeiro no Desenvolvimento Económico do País", na qual apresentei uma comunicação subordinada ao tema "Um Modelo Multicritério para Avaliação do Investimento Estrangeiro em Portugal".

 

Nesta comunicação procurei desenvolver um modelo de análise das alternativas de investimento estrangeiro que surgem para Portugal e o posicionamento competitivo do nosso país.

 

O investimento estrangeiro era classificado, nesta aproximação, em função da sua dimensão empresarial, tecnologias, setor de atividade e origem geográfica.

 

O modelo proposto contemplava 10 fatores de localização, integrando as infraestruturas - físicas, sociais e tecnológicas, acessibilidades, mão-de-obra, licenciamentos, sistemas de justiça, educação e saúde, qualidade de vida, legislação e conflitualidade laboral, incentivos fiscais e financeiros e uma matriz de investimentos com quatro quadrantes, englobando unidades de grande dimensão de tecnologia madura (I), ou  disruptiva (II) e unidades de média dimensão, de tecnologia madura (III) ou disruptiva (IV).

 

Na análise das potencialidades de atração do nosso país, o modelo pressupõe a análise comparada de localizações, duas a duas, com um processo de decisão baseado em fatores de concordância - nos quais o nosso país é melhor - e de discordância - em que se verifica o contrário.

 

As primeiras conclusões que se podem retirar deste modelo apontam para:

 

- Posicionamento negativo do nosso país, na atração de grandes unidades empresariais, tanto de tecnologia madura como disruptiva, essencialmente por força dos aspetos negativos associados à legislação laboral, fiscalidade, burocracia e imprevisibilidade nas relações com o Estado;

 

- Posicionamento médio na atração de unidades de média dimensão, tanto de tecnologia madura como disruptiva, com um posicionamento ligeiramente melhor destas últimas, por força dos aspetos positivos ligados à disponibilidade de quadros tecnológicos qualificados e à capacidade de atração de talentos face à qualidade de vida das nossas cidades do litoral.

 

Em termos das diferentes áreas do nosso território, o modelo mostra ainda o grande fosso que existe entre a atratividade de Lisboa e das restantes regiões do país.

 

Esta ferramenta, que acabo de descrever, e que ensinava aos meus alunos de Projeto Empresarial do ISCTE, é de uma enorme utilidade para a avaliação, tecnicamente rigorosa, deste tema, e para focar a atuação das nossas agências governamentais.

 

Mas pode, também, ser utilizada na análise do investimento nacional entre as várias regiões do país, constituindo uma base para o estabelecimento de uma política de inversão do fenómeno de desertificação do interior do nosso país.

 

Tenho gosto em oferecer esta ferramenta aos nossos decisores políticos.

 

Espero que a utilizem.

 

Gestor de Empresas

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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