Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 06 de maio de 2018 às 18:00

O desenvolvimento do interior

Considero que o encerramento de vários serviços públicos no interior, em particular os tribunais, foi um erro estratégico, em termos do desenvolvimento sustentável do país. 

Afirmei, num artigo anterior, que o desenvolvimento do interior do nosso país, não é um acto de filantropia, mas de inteligência.

 

Não só por razões de solidariedade social e territorial, indispensáveis para a construção de uma sociedade equilibrada e justa, mas sobretudo, por força da necessidade de construirmos uma economia e um ambiente, inteligente e sustentável, no nosso país.

 

E é, também, por essa razão, que considero que o encerramento de vários serviços públicos no interior, em particular os tribunais, foi um erro estratégico, em termos do desenvolvimento sustentável do país. 

 

Mas o desenvolvimento do interior, com a inversão da actual situação de progressiva e permanente desertificação, é um processo complexo que exige a intervenção coordenada de um conjunto alargado de entidades, assim como, recursos humanos e financeiros, consideráveis.

 

Não tendo expressão eleitoral significativa e com necessidades de contenção da despesa pública, a inversão da actual situação tornou-se um problema quase insolúvel.

 

Alterar as bases que conduziram a esta situação, de que se destacam a avaliação dos mercados que condenam projectos empresariais não competitivos e a irrelevância em termos políticos e eleitorais destas regiões, exige um novo paradigma de actuação.

 

Que contemple novas aproximações ao nível do investimento público e privado nestas regiões, na prestação de serviços públicos pelas entidades locais e centrais, e no reordenamento do mapa autárquico, criando massa crítica para programas de desenvolvimento sustentáveis.

 

Estas alterações comportamentais das autoridades públicas e políticas só são possíveis com um movimento disruptivo em relação às práticas do passado e, esse processo, sendo possível, é muito complexo, difícil e longo.

 

Se me perguntarem qual é a taxa de sucesso que prevejo para este processo regenerativo, sou obrigado a dizer, por honestidade intelectual, que é muito baixo.

 

Mas, apesar desta previsão pessimista, continuo a pensar que não devemos desanimar, tentando melhorar a situação actual e congratulando-nos com todos os pequenos progressos.

 

Um programa de intervenção estruturado para o desenvolvimento do interior exige uma aproximação de "discriminação positiva" em todas as áreas de intervenção, em particular, no investimento público, na dotação de todos os serviços públicos de apoio às empresas e às populações, no apoio dos serviços públicos centrais ao investimento e à exportação dos bens produzidos naquelas regiões e um sistema de incentivos ao investimento privado, de base regional, que fomente a fixação de pequenas e médias empresas e crie emprego.

 

Se os dois principais partidos políticos se entenderem para a criação de um programa com estas características, podemos ambicionar vir a ter, num prazo de 10 anos, um país mais equilibrado, mais sustentável e com maior qualidade de vida global, tornando-se um destino prioritário para o investimento e o turismo internacional, de qualidade.

 

Gestor de Empresas

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comentários mais recentes
JCG Há 2 semanas

Acho que a estratégia de reequilíbrio da ocupação do território em actividades económicas e pessoas deve passar por incentivar a localização de grandes investimentos produtivos em cidades da faixa interior - de Bragança a Loulé - para que as mesmas funcionem como locomotivas regionais

Anónimo Há 2 semanas

O desenvolvimento do interior nas atuais circunstancias é uma UTOPIA e levaria o País a atrasos de desenvolvimento brutais e á maior bancarrota de sempre.Nao estamos em condições de brincar com o fogo senão seremos todos icinerados.

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