Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 03 de junho de 2018 às 18:40

O mágico número oito  

O número oito tem um significado muito relevante na economia real, em particular nos países que têm de dedicar especial atenção ao seu crescimento e desenvolvimento.

O dia tem 24 horas, ou seja, 3 * 8 horas.

 

A semana laboral tem 40 horas, ou seja, 5 * 8 horas.

 

As empresas produtoras de bens e serviços podem decidir trabalhar com um único turno diário de 8 horas, ou dois turnos, 16 horas por dia, ou em laboração contínua, três turnos, 24 horas por dia.

 

Algumas indústrias, em particular as indústrias químicas e as linhas de montagem de alto rendimento, têm de trabalhar em laboração contínua. O mesmo sucede em alguns serviços, tais como, saúde, energia, telecomunicações, segurança,…

 

Construir turnos, equilibrados e justos, com horários semanais de 40 horas, é um processo complexo, mas possível.

 

A redução da semana laboral, na indústria e serviços, para 35 horas, altera completamente esta lógica de racionalidade e competitividade empresarial.

 

Como a remuneração salarial deve ser calculada com base nas horas de trabalho efectivo, e não no valor mensal, esta alteração aumenta, de imediato, a remuneração horária em 14%, com reflexos directos na massa salarial das empresas.

 

Além disso, as 35 horas semanais correspondem a 7 horas diárias, pelo que o trabalho em turnos de 8 horas implicará sempre 1 hora de trabalho extraordinário, tornando as nossas empresas, em particular as exportadoras, não competitivas a nível global.

 

Este movimento, conjugado com a redução da flexibilidade dos bancos de horas individuais, será devastador para a competitividade do nosso aparelho produtivo.

 

A consequência imediata será um aumento do desemprego e, a curto prazo, uma redução significativa das exportações, aumento do deficit e maiores constrangimentos financeiros no país.

 

Interrogo-me sempre, se os funcionários públicos perceberam que a reversão dos seus horários, de 40 para 35 horas, correspondeu, de imediato, a um aumento da sua remuneração horária de 14%, estando na base da impossibilidade actual orçamental de aumentos subsequentes.

 

Aumento de remuneração que não correspondeu a um aumento do seu rendimento disponível!

 

Esta reversão explica ainda o deficit orçamental que ocorre em todos os serviços públicos que têm de funcionar em regime contínuo - polícia, hospitais, defesa,…

 

Alguém explicou isto aos trabalhadores, públicos e privados, perguntando-lhes se preferem um aumento virtual mensal (real horário) ou um aumento real mensal, em função dos aumentos de produtividade?

 

A redução da competitividade da nossa indústria e serviços, ainda frágil em muitos sectores, será devastadora para o país.

 

O esforço persistente e contínuo dos partidos de extrema-esquerda, que suportam o Governo, no sentido de transformarem o nosso país na Venezuela da Europa é claro e objectivo.

 

Em vez de caminhar para um quadro laboral amigo do investimento, o país caminha em sentido contrário.

 

Esperemos que a sociedade portuguesa esteja atenta e possa evitar esta catástrofe anunciada.

 

Gestor de Empresas

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