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Luís Todo Bom 01 de Julho de 2020 às 19:40

O regresso dos “achadores”

Partilham vigorosamente opiniões de outros “achadores” sobre medicamentos milagrosos, vacinas, formas de controlar a pandemia, vitórias e derrotas dos vários países, sem caracterizarem a sua envolvente social, cultural e económica.

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Os "achadores", ou seja, os indivíduos que "acham" coisas sobre temas em que não detêm qualquer tipo de conhecimento estruturado, estão de volta à actualidade nacional.

 

A presença nas redes sociais, em que emitem opiniões, sobre todos os temas da actualidade, intensificou-se.

 

Participam no maior número possível de webinars, estão, permanentemente, online, sempre a "acharem" qualquer coisa, sobre qualquer tema.

 

A situação actual, de completa ou quase completa inactividade, e a convicção de que dominam o ciberespaço criaram as condições ideais para a multiplicação dos "achadores".

 

Confundem informação com conhecimento, passam horas à frente dum ecrã, saltando de site para site, e emitindo, permanentemente, opiniões, completamente inúteis e incorrectas.

 

Na maior parte dos casos, o anonimato ajuda à libertação das frustrações e à manifestação da ignorância dos "achadores".

 

Recusam-se a ler um texto académico, com conhecimento estruturado sobre os temas em análise, preferindo, preguiçosamente, a leitura de textos superficiais, que retiram da net.

 

São os alunos dedicados da universidade da mediocridade.

 

No momento presente, os temas sobre os quais a maioria destes ignorantes "acha" coisas são a pandemia e a economia.

 

Em relação à primeira, partilham vigorosamente opiniões de outros "achadores" sobre medicamentos milagrosos, vacinas, formas de controlar a pandemia, vitórias e derrotas dos vários países, sem caracterizarem a sua envolvente social, cultural e económica.

 

No âmbito da economia, o país assiste, estupefacto, ao surgimento dum número incomensurável de especialistas nesta área.

 

Indivíduos que nunca dirigiram uma empresa, nem fazem ideia do que isso é, apresentam soluções para o desenvolvimento empresarial do país e para a saída da crise actual.

 

Há um factor comum nas soluções destes "achadores": envolvem sempre a injecção de milhares de milhões de euros do Estado, de preferência, a fundo perdido.

 

Sem identificarem o modo de recuperação desse dinheiro, que sairá dos bolsos dos contribuintes.

 

Incluindo o que virá da União Europeia.

 

Existe, aliás, um leilão sobre este número, com cada novo especialista que se pronuncia, a aumentar o volume de dinheiro que o Estado deve disponibilizar.

 

Já ouvimos propostas de mil, cinco mil, dez mil, quinze mil milhões de euros.

 

Não para modernizar a nossa administração pública e as nossas empresas, com novos investimentos em inovação e tecnologia, que melhorem o nosso posicionamento competitivo actual, mas para manter a situação actual, com as mesmas ineficiências, o mesmo desajustamento fiscal e laboral e a mesma baixa produtividade.

 

Sem qualquer referência a programas de inovação, modernização tecnológica e novos modelos de gestão que nos aproximem dos modelos mais competitivos da Europa.

 

Ficando o país, no pós-pandemia, pior do que estava, sem qualquer ajustamento estrutural da sua economia.

 

Quando se deita dinheiro para cima dos problemas, o dinheiro desaparece e os problemas mantêm-se.

 

Mas, alegremo-nos, a festa continua, os "achadores" estão de volta.

Gestor de Empresas

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

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