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Luís Todo Bom 03 de Fevereiro de 2014 às 00:01

O "Chief Innovation Officer – CIO" nas empresas

Assiste-se, no momento actual, a um novo salto qualitativo nos modelos de governance de topo das organizações mais competitivas com a necessidade de interiorização e gestão correcta da inovação tecnológica.

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A alteração dos modelos de competitividade das empresas, em mercados sofisticados, com maior incorporação de inovação tecnológica, tem obrigado à alteração dos seus sistemas organizativos, ganhando importância as funções de gestão ligadas a estes processos.

Os modelos tradicionais privilegiam duas funções de gestão principais ao nível dos respectivos Conselhos de Administração. O Administrador-Delegado, ou Presidente Executivo, "CEO – Chief Executive Officer" e o Administrador Financeiro, "CFO – Chief Financial Officer", garantindo-se a sustentabilidade da empresa através da sua gestão executiva global e gestão financeira.

Com o advento das tecnologias de informação e da sua utilização generalizada, através dos "ERP – Enterprise Resource Planning", sistemas integrados de gestão empresarial, as empresas mais dinâmicas criaram o "Chief Information Officer – CIO" responsável pela gestão de todo o sistema de informação da empresa e do seu desenvolvimento para o aumento da sua competitividade.

As empresas de base tecnológica, como as empresas de telecomunicações, energia, biotecnologia, …. começaram entretanto a sentir a necessidade de ter um administrador que coordenasse a aquisição e adopção das melhores tecnologias disponíveis nas suas organizações, tendo criado o "Chief Technology Officer – CTO".

Assiste-se, no momento actual, a um novo salto qualitativo nos modelos de governance de topo das organizações mais competitivas com a necessidade de interiorização e gestão correcta da inovação tecnológica.

As empresas mais dinâmicas já entenderam que a inovação é um processo de actuação horizontal, (vários níveis hierárquicos) sistémico (produtos, serviços, processos e posicionamento) e em rede, (inovação aberta e fechada) pelo que tem exigências de gestão sofisticadas, referidas nos modelos de hipercompetição e nas organizações ambidextras e "learning organizations".

A função "Operações" das Organizações passou a ser responsável, na grande maioria dos casos, pela inovação ao nível dos processos, área que incorpora, em regra, a maior integração tecnológica, pelo que o "COO – Chief Operational Officer" viu o seu grau de intervenção e de responsabilidade aumentado, assumindo em acumulação as funções de "CTO".

Chegamos, assim aos domínios da hipercompetição, com a inovação a ocorrer em todas as vertentes e com especial incidência ao nível do posicionamento.

A integração da função inovação e a sua relevância estratégica exigiu a criação nestas empresas do "Chief Innovation Officer – CIO" que acumula, com a função do "Chief Information Officer – CIO", de modo a garantir as características sistémicas e de rede dos processos de inovação radical.

As nossas empresas, mesmo as de maior dimensão e mais dinâmicas, têm ainda um atraso considerável na adopção destes modelos de governance.

As Universidades Portuguesas, também, só recentemente, começaram a ensinar estas matérias.

Esperemos que possamos assistir, no futuro próximo, à alteração deste paradigma.

Professor Associado Convidado do ISCTE

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