Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 07 de outubro de 2013 às 00:01

Os enigmas do Algarve

Tendo passado, uma vez mais, como o faço há mais de uma década, as férias no Algarve e regressado a Lisboa, não consigo deixar de me interrogar como é possível que nada de estrutural tenha acontecido durante este período de tempo, naquela região do País.

Tendo passado, uma vez mais, como o faço há mais de uma década, as férias no Algarve e regressado a Lisboa, não consigo deixar de me interrogar como é possível que nada de estrutural tenha acontecido durante este período de tempo, naquela região do País. 


O Algarve é, provavelmente, a região balnear europeia com maior sazonalidade, tornando quase impossível a rentabilização de algumas unidades hoteleiras e obrigando ao encerramento de vários restaurantes e hotéis durante metade do ano.

É um destino cada vez mais concentrado no "sol e praia", sem qualquer diferenciação significativa, o que obriga a uma competição internacional pelo preço, com a correspondente redução de valor acrescentado desta actividade.

As melhorias das taxas de ocupação deste ano são meramente conjunturais, resultantes do desvio de turistas de "sol e praia" dos destinos africanos com os quais o Algarve concorre, por força das alterações de segurança desses países.

Têm sido, no entanto, identificados os segmentos de mercado em que o Algarve se poderia diferenciar e reduzir a sazonalidade, mas, surpreendentemente poucas ou nenhumas acções foram desenvolvidas nesse sentido.

São os enigmas do Algarve!

• O "segmento de congressos e incentivos", exigiria, para o seu desenvolvimento e para poder competir com outros destinos europeus, a construção dum Centro de Congressos e de Exposições, com capacidade para receber Congressos de 3000 participantes, exposições temáticas e grandes espectáculos, ou seja, um Centro de Congressos com uma área útil da ordem dos 20.000m2 .

Não há nenhuma iniciativa em curso e a ocupação continuada de Vilamoura, que é a localização ideal, começa a tornar difícil a sua construção.

• O "segmento da terceira idade", residencial e hoteleira, assim como o turismo de saúde, exigiria uma infra-estrutura exemplar de clínicas hospitalares. A retenção de médicos de qualidade e o desenvolvimento destes "clusters", só será possível com a construção de uma Faculdade de Medicina no Algarve.

Não há nenhuma iniciativa em curso nesta área.

• O "segmento do golfe" exigiria a construção e gestão em rede de mais campos de golfe, criando uma massa crítica para negociação com operadores especializados e companhias de aviação.

A aprovação de um novo campo de golfe continua a demorar 10 anos!

Como é possível que os anos passem e tudo continue na mesma?

Como é que se acredita que com simples acções de promoção, promovendo um produto que não tem qualquer diferenciação, se altera a sazonalidade da região?

Como é que alguém nos pode levar a sério quando se afirma que a nossa estratégia passa por sermos "A Florida da Europa"?

A Florida tem tudo: Centros de Congressos, uma Indústria de Saúde suportada em Centros Hospitalares e Faculdades de Medicina de vanguarda, Campos de golfe variados, Ligações aéreas privilegiadas, uma Indústria de "Entertainment" activa.

O "nosso" Algarve continua adiado!

Sem qualquer estratégia consistente e, sobretudo, sem qualquer realização significativa.

* Professor Associado Convidado do ISCTE

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