Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 30 de junho de 2019 às 20:15

Privatizações e investimento estrangeiro

Esta aproximação ao mercado angolano permitiria ainda aos empresários portugueses estreitarem relações com empresários europeus de referência, manterem uma presença significativa em Angola e expandirem-se, no futuro, para outros mercados africanos.

Apresentei, recentemente, em Luanda, uma conferência subordinada ao tema "As Novas Tecnologias nos Processos de Privatização e de Atracção de Investimento Estrangeiro", que contou com a presença de um número alargado de quadros angolanos e foi encerrada pelo Sr. ministro da Economia.

 

Angola definiu, como uma das suas prioridades de política económica, um processo de privatizações de razoável dimensão e uma estratégia de atracção de investimento estrangeiro, em várias áreas da indústria e serviços, de modo a acelerar a exploração e rentabilização de vários recursos de que dispõe, aumentando, em simultâneo, a formação de quadros angolanos nas várias tecnologias associadas a estes processos.

 

No caso de Angola, como aconteceu no recente período de crise económica em Portugal, estes dois processos estão intimamente relacionados, ou seja, a privatização de grandes unidades de razoável complexidade tecnológica, face à actual escassez de recursos financeiros e de quadros qualificados, só é possível com recurso ao investimento estrangeiro.

 

Considerei, assim, que seria útil, partilhar, com os quadros angolanos, a minha experiência em vários processos de privatização com atracção simultânea de investidores estrangeiros, que desenvolvi e coordenei, em Portugal.

 

Angola tem, no entanto, uma dificuldade adicional nestes processos, em relação a Portugal, que reside na inexistência de uma bolsa de valores a funcionar, o que limita os modelos de privatização a privilegiar, nomeadamente a dispersão do capital na empresa privatizada.

 

Aliás, mesmo no caso português, constituiu sempre um constrangimento, a pequena dimensão e pouca liquidez da bolsa portuguesa, situação que, infelizmente, se tem vindo a agravar.

 

Por força das suas limitações em recursos humanos e financeiros e do envolvimento em vários projectos, os empresários portugueses, mesmo os de média e razoável dimensão, têm dedicado pouca atenção a estes processos.

 

Fazem mal, em minha opinião.

 

Os empresários portugueses têm a oportunidade de construir consórcios com os grandes "players" europeus dos sectores a privatizar, assumir as negociações com as autoridades angolanas e concretizar algumas operações em que, mesmo sendo sócios minoritários do consórcio, possam vir a ter um papel relevante na gestão das novas empresas privatizadas.

 

Esta aproximação ao mercado angolano permitiria ainda aos empresários portugueses estreitarem relações com empresários europeus de referência, manterem uma presença significativa em Angola e expandirem-se, no futuro, para outros mercados africanos, aproveitando as ligações ferroviárias e marítimas, a partir de Angola.

 

As duas grandes Associações Empresariais Portuguesas, a AIP e a AEP, podem representar um papel fundamental neste processo.

 

Com a enorme vantagem de promoverem, em época de crise, um maior estreitamento das relações entre os nossos dois povos.

 

Gestor de Empresas

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico 

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