Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 06 de julho de 2014 às 15:34

Reindustrialização com "clusters" tecnológicos

Apresentei, recentemente, na Ordem dos Engenheiros, uma Conferência subordinada ao tema "Um Modelo de Reindustrialização suportado na Inovação e nos Clusters Tecnológicos".

 

Integrada no Ciclo de Conferências sobre "Reindustrialização - O caso Português", organizado pela Comissão Executiva da Especialização em Engenharia e Gestão Industrial.

A estratégia que defendi, inclui as seguintes decisões:

 

• Focus prioritário nos "clusters" em estádios de desenvolvimento mais avançado, com presença internacional relevante - "Cluster" das Tecnologias de Informação e Comunicação e da Biotecnologia e Tecnologia da Saúde.

 

• Hierarquização e concentração de recursos - financeiros e de conhecimento - nos restantes "clusters" com potencial de crescimento a curto prazo - "Cluster" das Tecnologias Energéticas, das Tecnologias Tropicais e das Tecnologias dos Materiais.

 

• Diferenciar os incentivos à inovação incremental - "clusters" tradicionais - e à inovação radical - "clusters" tecnológicos.

 

• Adoptar uma aproximação internacional na definição dos incentivos, privilegiando as empresas que se localizem nas Regiões Nacionais de Base Tecnológica.

 

• Focus nos bens e serviços transaccionáveis e na competitividade internacional suportada em Redes de Inovação.

 

• Reposicionar e hierarquizar os incentivos às Unidades de Interface entre as Unidades de Produção de Conhecimento e as Empresas de Base Tecnológica - Parques Tecnológicos, Incubadoras de Empresas, Centros Tecnológicos e Unidades de Formação Universitária de Executivos.

 

• Concentrar os incentivos do lado da Procura e não da Oferta da Inovação. As empresas, integradas em Redes de Inovação, contratam as Unidades de Produção de Conhecimento.

 

Este programa é, obviamente, muito ambicioso e corta definitivamente com a prática do passado, de ausência de focus, de hierarquização e de concentração de recursos - financeiros e do conhecimento.

 

Mas não há outra via para atingirmos os objectivos essenciais do processo de Reindustrialização do país, que se devem traduzir em:

 

• Distribuição mais equilibrada do PIB entre os Sectores Primário, Secundário e Terciário.

 

• Aumento do valor acrescentado e melhoria do posicionamento competitivo dos produtos e serviços transaccionáveis no âmbito da globalização.

 

• Incremento do ratio Exportações/PIB, para valores mais próximos de economias europeias de dimensão semelhante, como é o caso da Irlanda.

 

• Criação de emprego com maior sofisticação intelectual e tecnológica e, por conseguinte, mais bem remunerado.

 

• Intervenção em toda a cadeia de valor, melhorando a resiliência da economia portuguesa às crises internacionais.

 

• Criação de grupos económicos mais robustos e com maior integração internacional.

 

É um caminho difícil. Que altera o privilégio de alguns grupos de interesses e pequenos poderes. Mas não há alternativa, pelo que quanto mais depressa o iniciarmos, com convicção e persistência, melhor.

 

Professor Associado Convidado da ISCTE Business School

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