Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 30 de setembro de 2018 às 18:00

Salários vs. massa salarial

Com produtividades baixas, a única forma de se manter a competitividade dos produtos e serviços fornecidos, nos vários mercados em que concorrem, reside na manutenção de salários reais horários baixos.

A criação de um quadro laboral amigo do investimento deve ser uma prioridade nacional.

 

Para a construção deste quadro de referência, torna-se necessário reflectir sobre um conjunto alargado de conceitos, que incluem salários, massa salarial, produtividade e competitividade.

 

E lidamos, normalmente, com um conjunto de equívocos em relação a cada um destes conceitos e à correlação dos mesmos com o processo de crescimento e desenvolvimento económico do país.

 

Os salários, em termos da gestão das organizações, não podem ser medidos pela remuneração mensal auferida pelo colaborador, mas sim, pela remuneração horária correspondente às horas efectivas de trabalho.

 

As alterações de horários semanais, férias, licenças, absentismo,… têm, assim, implicações directas para as organizações, públicas e privadas, sobre os salários reais auferidos pelos seus colaboradores.

 

A massa salarial engloba a totalidade dos pagamentos efectuados pelas organizações, em salários dos seus colaboradores. Inclui, além do salário horário real pago, todas as contribuições sociais e fiscais que lhe estão associadas.

 

Esta massa salarial é o grande indicador utilizado para o cálculo da produtividade do trabalho, medida pela relação de output por hora de trabalho efectivo.

 

A utilização de tecnologias arcaicas para a produção de produtos e serviços de baixo valor acrescentado, comercializados, nos mercados internacionais pouco exigentes, a baixo preço, associada a uma deficiente organização do trabalho e a uma gestão pouco competente, conduzem, invariavelmente a produtividades baixas.

 

Com produtividades baixas, a única forma de se manter a competitividade dos produtos e serviços fornecidos, nos vários mercados em que concorrem, reside na manutenção de salários reais horários baixos.

 

É este ciclo negativo que tem de ser invertido.

 

Sem subterfúgios e sem espertezas saloias.

 

Em concertação social séria e com empenho claro dos gestores portugueses, por onde passa a esmagadora maioria das acções que é necessário desenvolver.

 

A solução não é trabalhar menos horas, sem alterar a produtividade actual, mantendo os mesmos salários fixos mensais, já que este movimento promoverá, no futuro imediato, a redução da competitividade das nossas empresas e, por esse efeito, no futuro próximo, um aumento do desemprego.

 

A solução é produzir mais e melhor, com novas tecnologias e modelos de gestão modernos, desenvolvendo produtos e serviços de maior valor acrescentado, para mercados mais ricos e mais exigentes, que permitam às organizações acomodar uma massa salarial mais elevada e, por essa via, aumentar, de modo sustentado os salários reais dos seus colaboradores.

 

Este não parece ser o caminho e as opções dos partidos que actualmente governam o país.

 

Mas os portugueses não tardarão a perceber que o caminho que estes partidos propõem não é sustentável no futuro próximo.

 

Gestor de Empresas

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