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Manuel Castelo Branco 22 de Novembro de 2013 às 00:01

Fim do túnel à vista?

Quem manda na Europa parece, finalmente, ter reconhecido que ela pode morrer de excesso de austeridade e o Comissário Rehn veio na prática propor que se esqueça a austeridade e se promova antes o investimento e crescimento.

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Houve quem escrevesse que Portugal, para crescer sustentadamente e conseguir o respeito internacional, precisava de prémios Nobel na química, na economia e na medicina… e não de bolas e botas de ouro.

Julgo que ninguém contestará a razoabilidade deste desejo. Mas a vitória de anteontem sobre a Suécia demonstrou como o desporto, incluindo o futebol, tantas vezes é o melhor caminho para ensinar qual a atitude necessária para chegar ao Nobel.

Não vou maçar ninguém a reescrever o que já foi escrito por dezenas de comentadores desportivos e políticos. Apenas sublinhar que o sucesso se deveu à ambição e certeza de que nada se consegue sem risco! E que uma equipa, ou organização, comandada por um líder que alia à sua genialidade uma enorme convicção transforma-se numa equipa ganhadora.

Foi isto que Cristiano Ronaldo e todos os seus colegas nos ensinaram, primeiro em Lisboa, depois nos arredores de Estocolmo.

Contudo, Paulo Bento definiu depois o objectivo para a campanha do Brasil: chegar aos oitavos-de-final ou, dito de outra forma, não ficar no lote dos 16 últimos e, a partir daí, dar o melhor jogo a jogo.

Para sorte do nosso orgulho e ambição, em breve, aqueles jogadores que estão habituados a jogar para ser campeões e não para adivinhar quando é que vão ser eliminados, esclarecerão que no Brasil, no mínimo, temos de disputar a final. Chegar aos "playoff" não pode ser objectivo de gente superdotada, treinada, bem paga e ambiciosa que faz parte de uma selecção que, nos últimos 10 anos, jogou quartos-de-final, meias-finais e final de Campeonatos do Mundo e da Europa.

Assim ficará restabelecida a crença e a ilusão no "País da Bola", o que é muito conveniente pois, no "País da Realidade", está a renascer algum fundamentado optimismo.

Os indicadores económicos e financeiros de Portugal têm melhorado e a decisão Irlandesa de dispensar novas tutelas só veio ajudar pois, no muito provável caso de recurso a um programa cautelar, ele será exclusivamente desenhado para servir Portugal, pois a Comissão Europeia e a Chanceler Merkel não podem permitir que a experiência do resgate Português seja um fracasso.

Quem manda na Europa parece, finalmente, ter reconhecido que ela pode morrer de excesso de austeridade e o Comissário Rehn veio na prática propor que se esqueça a austeridade e se promova antes o investimento e o crescimento para acabar com o flagelo do desemprego.

Como informava o insuspeito Financial Times, os gestores dos grandes Fundos americanos têm executado, nos últimos quatro meses, "apostas multibilionárias" na recuperação dos bancos da Zona Euro o que constituiria uma claríssima indicação de que "a pior crise económica em tempo de paz, desde a Grande Depressão, está a chegar ao fim".

A crise com Angola, que não foi causada por Rui Machete, mas por um enorme desleixo da nossa magistratura, está em vias de ser apaziguada. Mas a porta à influência Espanhola foi definitivamente aberta e eles não costumam desperdiçar oportunidades destas.

Os juros que os nossos credores nos exigem estão a baixar, o exemplo irlandês também nos é favorável e Draghi deu uma ajuda baixando a Euribor, para estimular a inflação na Europa (aonde chegamos!). Mas os diferenciais para as taxas pagas pelos nossos concorrentes, na dívida a longo prazo, são ainda insuportáveis. E, neste ponto, Rui Machete só pecou por defeito como comentava Teixeira dos Santos: com os diferenciais que existem (entre 4 e 2 pontos), mesmo 4,5% seria uma taxa demasiado alta para um país que não pode mexer nas suas taxas de câmbio.

A promoção internacional da nossa economia está a ser conduzida com entusiasmo e rigor e, mais importante, aparentemente em boa coordenação com o Ministério das Finanças. Para que o País avance, é essencial que exista um bom entendimento pessoal e político entre quem manda nas Finanças e quem manda na Economia.

Só falta a aprovação final do Orçamento e o julgamento que dele fizer o Tribunal Constitucional.

Depois saberemos se há razão para alimentar algum optimismo. "Se aquela luz que lá vemos ao fundo é o fim do túnel, ou um comboio em sentido contrário".

Advogado

mcb@mcb.com.pt


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