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Opinião
Manuel Falcão 30 de Setembro de 2011 às 11:30

A esquina do Rio

Nestes cem dias de governação ficou saliente um problema do regime: continua a existir uma grande contradição entre a energia na obtenção da receita

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Governo
Nestes cem dias de governação ficou saliente um problema do regime: continua a existir uma grande contradição entre a energia na obtenção da receita, que a legitimidade dos votos proporciona, e a quebra das promessas que proporcionaram esses mesmos votos. Foram cem dias intensos - três aumentos de impostos, as primeiras decisões de redução do peso do Estado, o cumprimento do calendário do acordo com a troika. Cem dias que foram focados em criar uma imagem diferente, em termos internacionais, da governação de Portugal - espera-se agora que os próximos cem dias sejam dedicados a dar aos portugueses provas de que o país pode mudar para melhor. Observadores atentos de diversas áreas não se cansam de dizer que os próximos cem dias serão decisivos - o Governo tem sabido usar a palavra mudança, todos esperamos que possa começar a conjugá-la com a palavra esperança. Mais - é fundamental conseguir conciliar a austeridade, que tem de ser uma nova regra de vida, com o crescimento económico, sem o qual não há nem confiança nem esperança.

Esta semana gostei de ouvir, numa conferência do «Jornal de Negócios», o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, a dizer preto no branco que a energia tem que estar ao serviço da economia e não a economia ao serviço da energia. A frase sintetiza uma alteração de comportamento - esperemos que efectiva. E gostei de ouvir o mesmo ministro defender um reforço da competitividade das exportações portuguesas com recurso a portos marítimos mais eficazes e a linhas ferroviárias de bitola europeia, pensadas para transporte de mercadorias, a norte e a sul. Foi a primeira hipótese alternativa ao TGV que me pareceu interessante e possível. O próximo desafio do Governo - e não é pequeno - é concretizar os planos que elaborou nestes 100 dias.


Oposição
Nestes cem dias de Governo o PS fez um Congresso e mudou de direcção. O Congresso foi uma espécie de reciclagem dos pecadores, sem o ritual da confissão. Bastou a presença no templo e passaram de pecadores a perdoados sem necessidade de arrependimento. A nova direcção do PS está a caracterizar-se por um vazio ideológico total e tácticas surpreendentes - negativas, entre a falta de noção da realidade e a mais baixa demagogia. Em jeito de balanço dos cem primeiros dias da Governação, António José Seguro resumiu desta forma o Estado da Nação: "O Governo passou os 100 primeiros dias a discutir a tutela do AICEP". No Congresso, o PS recusou-se a olhar para a realidade, para as más políticas que implementou no país. Agora o seu novo líder recusa-se a olhar para aquilo que, concorde-se ou não, tem sido feito pelo actual Governo. A desonestidade intelectual não é um bom programa político para nenhum partido de oposição.


TV
Cada vez que se pensa na definição e competências do serviço público de televisão deve-se ter em conta os dados do novo relatório da Anacom, relativo à evolução do serviço de televisão por subscrição no segundo trimestre deste ano mostra um crescimento de 7,4% no número de assinantes, em relação ao período homólogo de 2010. O total de assinantes é agora de 2,848 milhões, o que significa aproximadamente 70% das famílias. O grande motor do crescimento do mercado tem sido a instalação de fibra óptica - o número de utilizadores de fibra óptica mais que duplicou entre o segundo trimestre do ano passado e o segundo trimestre deste ano, com o MEO a ser o único operador a crescer em quota de mercado. O operador com maior número de clientes continua a ser a Zon, com 55,8% do total, seguida da PT/MEO com 32,3% e da Cabovisão com 9%. Actualmente mais de metade dos assinantes dispõe de acesso a mais de 80 canais. O mundo já mudou, o serviço público é que não.


ASAE
Esta semana soube-se que uma multa imposta pela ASAE à Livraria Barata tinha sido anulada pelo Tribunal. Há muito que não se ouvia falar da ASAE, esse símbolo dos primeiros anos do Governo Sócrates. A acção contra a livraria Barata é exemplar da forma abusiva como a ASAE actuou e como criou uma imagem de intolerância e prepotência. António Nunes foi o rosto desses abusos, o rosto de uma forma de funcionar que visava criar o medo, mais que prevenir ou esclarecer. A ASAE que foi derrotada em Tribunal é um dos resquícios que temos da forma de agir de Sócrates - os fins justificam os meios. Também aqui há muita coisa para mudar.


Ouvir
Os Nirvana fizeram o histórico CD «Nevermind» há 20 anos. Canções como «Smells Like Teen Spirit», «Come As You Are» ou «Lithium» integravam os 12 originais que ajudaram a fazer de Kurt Cobain um mito. Para assinalar o 20º aniversário da edição a Universal preparou uma edição com dois CD's que reúne, para além do álbum original, nove temas que constituíram os lados B de outros tantos singles da banda. Além disso esta edição inclui registos antes nunca editados que passam por concertos ao vivo, actuações em programas de rádio, gravações de ensaios e demos de trabalho. Para encerrar, o booklet que acompanha esta edição inclui fotografias inéditas e diverso novo material gráfico. É uma edição magnífica, à venda na FNAC e El Corte Ingles.


Ler
A «Wallpaper» assinalou a sua edição 150 com um número especial que revisita algumas das melhores escolhas da revista nos últimos 15 anos e a lista de 150 personalidades que marcaram a época. Fundada por Tyler Brulé, que depois a vendeu e, anos mais tarde, criou a "Monocle", a "Wallpaper" foi a partir do final dos anos 90 do século passado um guia sobre cidades, criadores, moda, designers - enfim, um manual de cultura urbana. Nesta edição destaco a reportagem dedicada ao renascimento de Roma, o clube privado concebido por David Lynch em Paris, um artigo sobre os directores de arte das grandes campanhas de moda dos últimos anos e. para terminar, as duas páginas sobre o L'And Vineyards, um projecto do arquitecto brasileiro Marcio Kogan, a quem o proprietário das vinhas, José Cunhal Sendim, encomendou o projecto, que fica perto de Montemor-o-Novo.


Arco da velha
Joe Berardo revelou esta semana que, há uns anos atrás, quis contratar Pinto da Costa para dirigir o Benfica oferecendo-lhe 500.000 contos pela transferência das Antas para a Luz.


Semanada
Foi extinta a Fundação para as Comunicações, a gestora do projecto Magalhães, que terminou com 70 milhões de euros de dívidas; o número de particulares que pediram insolvência aumentou 156% em relação a 2010; o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decidiu arquivar a queixa contra o Director da Revista Sábado, acusado pelo Ministério Público de ofensa à honra do Presidente da República por ter criticado o seu discurso de posse do segundo mandato; o homem mais rico da China, um industrial da Construção, está na lista para entrar no Comité Central do Partido Comunista Chinês; a frase da semana pertence a Augusto Mateus: «a Europa não pode continuar a ser uma fotografia de grupo de 27 pessoas sorridentes que, face a uma emergência, prometem uma solução para daqui a três meses».


Petiscar
Em Espanha, os presuntos 5J são sinónimo de qualidade. A marca remonta a 1879, e tem aberto alguns espaços de petiscar em locais seleccionados. O primeiro desses locais em Portugal abriu há uns meses no sétimo andar do El Corte Ingles, em Lisboa. Ali se pode provar o presunto, com um corte impecável - já agora, porque é que por cá se corta tão mal o presunto? Mas também há outros petiscos, como lombo ibérico, anchovas de santona com queijo de cabra e beterraba, e ovos estrelados ou em tortilla, com várias possibilidades de ingredientes. Em suma uma casa de tapas onde não faltam uns deliciosos croquetes de presunto que por si só valiam uma deslocação. A carta de vinhos espanhóis é simpática e a cerveja de pressão é a magnífica Mahou. Aqui está um grande sítio para petiscar.


Ver
Em termos de exposições a rentrée lisboeta está animada. No Museu Berardo (CCB) está uma exposição retrospectiva do brasileiro Vic Muniz, um cartão de visita á actividade deste artista que integra uma centena de obras; Rui Chafes mostra desenhos inéditos na Galeria João Esteves de Oliveira, ao Chiado; no espaço BES ARTE, no Marquês de Pombal, está uma exposição fantástica de fotografas de Gérad castello Lopes - absolutamente imprescindível; e por vários locais da cidade, do MUDE ao Convento da Trindade, passando pelo antigo Tribunal da Boa Hora decorrem actividades da Experimenta Design, agora na sua semana inaugural - todas as informações em www.experimentadesign.pt.


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