Manuel  Falcão
Manuel Falcão 13 de setembro de 2013 às 00:01

A esquina do rio

Infelizmente, não vejo nenhum candidato a Lisboa dizer que defende uma cidade mais confortável e amigável para os que cá vivem e cá pagam impostos. Nestas autárquicas, por esse país fora, vejo muitas proclamações generalistas, mas poucas propostas concretas.

Back to basics

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

Albert Einstein

 

Gosto

Da nova estratégia de produtos da Apple

 

Não gosto

Da posição da ERC sobre a cobertura das eleições, que contraria a liberdade editorial

  

 

Arco da velha

 

Estou para ver se os comentadores televisivos que se candidatam nas próximas eleições autárquicas vão permanecer em ecrã durante a campanha e o que diz a sapiente Comissão Nacional de Eleições sobre o assunto.

 

 

Cidades

 

Infelizmente, não vejo nenhum candidato a Lisboa dizer que defende uma cidade mais confortável e amigável para os que cá vivem e cá pagam impostos. Nestas autárquicas, por esse país fora, vejo muitas proclamações generalistas, mas poucas propostas concretas. A propósito, em boa hora chegou-me às mãos um belíssimo trabalho da consultora McKinsey, na sua "newsletter" de Setembro, que tem por tema "How To Make Cities Great". Com a devida vénia, reproduzo de seguida algumas ideias que retive deste estudo, que devia ser leitura obrigatória para os candidatos autárquicos sérios – eu sei, a expressão é quase um paradoxo nos tempos que correm. Pois bem, actualmente, metade dos habitantes mundiais, 3.6 mil milhões de pessoas, vive em cidades e, em 2030, esse número deve atingir os 5 mil milhões – as cidades vão crescer ainda mais e serão o principal factor de crescimento económico e de produtividade – e, também, o maior território de consumo. Por isso são encaradas como o palco do desenvolvimento e da transformação dos países.

Na governação de uma cidade, sublinha o estudo, há três mandamentos: conseguir um crescimento inteligente, fazer mais com menos, e conseguir ganhar o apoio da população, e dos funcionários da cidade para a mudança. Este programa ambicioso implica mais oportunidades para todos, melhor aproveitamento da tecnologia, um pensamento ambiental permanente, a procura activa e produtiva de consensos com habitantes e com os negócios locais e uma cultura de responsabilidade nas equipas que dirigem as cidades.

Claro que é preciso identificar "clusters" competitivos, criar centros de inovação, acolher universidades de ponta, ter bons transportes, garantir a segurança e facilidade na mobilidade. Mas é também preciso fazer uma formação intensiva nos funcionários dos municípios, estudar os melhores exemplos de como outras cidades atraíram investimentos. No fundo – e esta parte é tão desprezada entre nós – é fundamental perceber que as cidades têm que fornecer serviços aos seus clientes. E os clientes das cidades são as empresas que as escolhem e as pessoas que lá vivem.

Isto implica não ser precipitado, ter objectivos de longo prazo, ter noção das necessidades de pessoas e empresas, assumir preocupações ambientais de forma realista, o que quer dizer diminuir as emissões de carbono e, portanto, ter cuidado com a congestão de tráfego, ter consciência da realidade da vida das pessoas e não operar por decreto de cima para baixo. Tudo se resume a criar condições para que as pessoas vivam dentro da cidade, preocupar-se mais com a rede interna de transportes e a circulação interna do que com o acesso de quem vem de fora. Tudo isto pode parecer utópico, mas a McKinsey explica como as cidades que melhor prosperaram passaram por este caminho.

 

Ver

 

Esta é uma semana abundante em recomendações. Em Lisboa, abre a Trienal de Arquitectura - no MUDE, na Rua Augusta, e no Carpe Diem, na Rua do Século, há espaços que vale a pena visitar. Por falar em arquitectura, no CCB, no espaço Garagem Sul, abriu uma imperdível exposição do arquitecto japonês Sou Fujimoto,  "Futurospective Arquitecture", concebida pelo próprio. Outras ideias: na Fundação EDP, Museu da Electricidade, inaugurou "Stop Making Sense", uma exposição da artista plástica Mariana Gomes. Ainda em Lisboa decorrem hoje, sexta, e amanhã, sábado, as Noites de São Bento, um bom pretexto para visitar, na Galeria São Roque, a "Exaltação da Sombra", de Lourdes Castro. E, finalmente, na Fundação D. Luís I, no Centro Cultural de Cascais, inaugurou uma exposição com curadoria de Luís Serpa, "Manta, Retratos de Família", que agrupa obras de Abel Manta, da sua mulher, Clementina Carneiro de Moura Manta, do seu filho João Abel Manta, e da sua neta Isabel Manta. E, para terminar com fotografia, o espaço A Pequena Galeria, na 24 de Julho, retoma o Salão Lisboa a partir de dia 19. Não há falta de boas coisas para ver. E ver, como dizia o outro, é meio caminho andado para aprender.

Provar

 

Uma das cervejarias emblemáticas da Avenida de Roma nos anos 70 e 80, "O Pote", é agora um restaurante familiar e sossegado, bem longe das noites animadas que durante anos acolheu. Ao longo do seu meio século de história, acolheu tertúlias e a sua esplanada era ponto de encontro garantido. Aberto todos os dias, "O Pote" tem uma cozinha que não engana, baseada em valores seguros da culinária portuguesa - o destaque vai para o arroz de polvo, a carne de porco frita com açorda e, por exemplo, o clássico pica-pau do lombo. Os preços são justos, as doses generosas e o serviço é familiar e acolhedor. Está aberto todos os dias, mesmo no Domingo ao jantar, o que vai sendo raridade, e dispõe de uma sala para fumadores. Fica no nº7 da Avenida João XXI e o telefone é o 218486397. Para mais informações, ver opoterestaurante.com.

 

 

Folhear

 

A edição de Setembro da "Monocle" tem por tema o empreendedorismo e está recheada de exemplos de uma nova geração que procura negócios fora do comum ou que se dedica a recuperar velhas tradições e a torná-las rentáveis. Sob o lema "Do Your Own Thing", a revista guia os leitores, através de exemplos, no processo de como escolher e iniciar o negócio, como gerir de forma moderna e eficiente e, finalmente, como conseguir negociar e estabelecer parcerias que ajudem a empresa a crescer. Tudo é acompanhado do relato de numerosos casos de sucesso um pouco por todo o mundo. Há outros temas de interesse, desde a renovação urbana como factor de desenvolvimento de negócios locais, até à forma como as universidades de Vancouver, Aarhus na Dinamarca ou Tóquio, estão a mudar o conceito e a forma dos seus MBAs para melhorar prepararem os seus alunos - e o exemplo de Aarhus é particularmente interessante e bem que podia ser seguido por algumas escolas portuguesas.

 

 

Ouvir

 

Nestes tempos, Madonna parece como que apenas uma discreta virgem quando comparada com as travessuras de replicantes como Miley Cyrus. E, no entanto, como vem provando desde os anos 80, é bem mais consistente que os sucedâneos entretanto surgidos. A sua digressão de 2012, "MDNA World Tour", teve 88 concertos e as receitas de bilheteira ultrapassaram os 300 milhões de dólares em todo o mundo - tornando esta a digressão que mais receita produziu no ano passado. A concepção do espectáculo, bem diferente de digressões anteriores da artista, foi descrita por Madonna como "a viagem espiritual da escuridão para a luz" e incluía três partes - a profecia, o masculino/feminino em que se reproduzia um ambiente de cabaret e eram interpretadas algumas das canções mais marcantes da sua carreira, e a redenção, cenografada como uma grande festa. A digressão foi cuidadosamente gravada e filmada - o resultado é um duplo CD e um DVD, já disponíveis em Portugal. A edição de imagem, algum material de bastidores, a montagem, tornam o DVD uma peça bem diferente do simples registo de um concerto. Desde os pormenores das coreografias aos cenários, passando pela actuação da cantora, o DVD do MDNA Tour é uma peça que testemunha a criatividade e o talento de Madonna e a forma como ela concebe o espectáculo. (CD e DVD Interscope/Universal).

 

 

Semanada

 

Um estudo do Banco de Portugal indica que uma em cada cinco empresas gostaria de cortar salários l o sector da construção perde 198 empregos por dia o preço médio das casas em Espanha caiu 38,6% desde 2007  em Espanha, as dívidas das seis maiores empresas construtoras ultrapassam os 40 mil milhões de euros o crédito malparado em Portugal atingiu o valor de 17 mil milhões de euros no final de Julho, um valor recorde 66 cursos do ensino superior não tiveram nenhum candidato na primeira fase das inscrições e outros 48 cursos registaram apenas uma inscrição  no primeiro semestre deste ano, as vendas de "smartphones" em Portugal ultrapassaram, pela primeira vez, as de telemóveis tradicionais; em Portugal, as vendas de antidepressivos e ansiolíticos continuam a aumentar estimativas apontam para a existência, nos cadernos eleitorais, de um milhão de eleitores fantasmas, já falecidos ou emigrados, num total de 9,4 milhões  o património imobiliário dos partidos políticos soma mais de 20 milhões de euros, com o PCP a liderar com 13 milhões, seguido do PS com 7,7 e do PSD com 6 milhões - e nenhum paga IMI aos 21 anos, cerca de 18% dos jovens já agrediram namorado, 64% já se embriagaram e 34% já tiveram um acidente  o PS conseguiu dizer, primeiro que o Bloco de Esquerda, que votará contra o Orçamento, antes mesmo de o conhecer "slogans" da semana: "Cabeçudo, por ti, tudo!" e "ser tripeiro é um mundo".

 

Dixit

"Portugal é um país congelado - com o Governo e o PS a lutarem pelo papel do capitão Iglo."

Fernando Sobral, aqui no Negócios

 

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