Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 02 de julho de 2018 às 20:05

À causa do verão...

Num mundo em que as ideologias - de esquerda e de direita - estão a soçobrar, os eleitores também se tornaram "migrantes". Tal como eles, flutuam entre quem a cada instante lhes oferece soluções.

A FRASE...

 

"Desta vez foi Marcelo que surpreendeu Trump com o aperto de mão."

 

Observador, 28 de Junho de 2018

 

A ANÁLISE...

 

Nesta época do ano afigura-se particularmente difícil a escolha de um tema para discutir na mão visível. Por norma, no período estival são parcas as novidades de economia e política económica a que deitar a mão como motivação para uma crónica semanal. Pelas notícias que nos chegam, o mundo vive dividido entre o tema dos protecionismos, com as migrações à cabeça - seja na Europa, ou do outro lado do Atlântico - e o suspense mediático e mais do interesse do povo, sobre as surpresas que ainda nos estão reservadas no campeonato do mundo de futebol.

 

Futebol à parte, folhear as páginas dos jornais parece uma viagem ao passado. Títulos e notícias que se repetem há largos meses, sinalizando a continuada dificuldade das economias ocidentais em sair do atoleiro e a incapacidade dos sistemas políticos proporcionarem um debate frontal daquilo que realmente preocupa os cidadãos. Ou, talvez não... o alheamento pode muito bem ser a fuga em frente, numa "finta" aos reais problemas do mundo.

 

Ironicamente, quando a internet permite o acesso quase instantâneo e universal a tudo o que se passa no mundo e os cidadãos podem participar mais ativamente na construção e desenvolvimento da sociedade, aparenta acontecer exatamente o contrário. A constante negação dos problemas de fundo que ameaçam os pilares da democracia, alimentado por um debate imediatista e populista, que se centra na resposta aos impulsos do momento.

 

Num mundo em que as ideologias - de esquerda e de direita - estão a soçobrar, os eleitores também se tornaram "migrantes". Tal como eles, flutuam entre quem a cada instante lhes oferece as soluções que lhes parecem mais adequadas aos problemas do momento, ou que estão mais conforme o que exigem as suas preocupações. É asfixiante o espaço reservado para a discussão dos problemas estruturais e à política distante do ruído dos holofotes mediáticos que, como é natural, estão mais interessados em ganhar audiências do que em resolver os problemas do mundo.

 

Pensando melhor, se olharmos para além da espuma dos dias, a agenda política nos últimos tempos não tem mudado tanto assim... Talvez não se deva apenas à causa do verão!

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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