Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 03 de julho de 2019 às 21:00

As novas instituições do capitalismo

É importante reconhecer que na história civilizacional o equilíbrio encontrado após cada choque tecnológico é institucionalmente distinto da anterior.

A FRASE...

 

"Metade deste problema será no têxtil porque é um sector manual, muito especializado." 

 

António Saraiva (Presidente CIP), ECO, 26 de junho de 2019

 

A ANÁLISE...

 

Todos os dias somos chamados a limitar as ambições da economia à gestão do modo de vida em sociedade. Em particular, escolher a melhor forma de organização da produção e distribuição do valor. Os exercícios de antecipação do futuro − como o crescimento ou a inflação, por exemplo, são difíceis, arriscados e, sobretudo, fúteis em momentos de transformação institucional.

 

A probabilidade de ser bem sucedido nas artes da "cartomancia" é diminuta, como o provam a prolongada situação de taxas de juro negativas - contrariando as previsões do BCE, que as mesmas deveriam ter regressado a terreno positivo há já muito tempo - ou, então, os animados prognósticos de que o Diabo estaria ao virar da esquina.

 

O mesmo se aplica às profecias sobre a substituição do homem pela máquina. Na história da humanidade abundam choques tecnológicos e... portas de saída! Foi assim com as revoluções agrícola e industrial. E será assim agora, na era da informação e da robotização.

 

A requalificação mão de obra, que o Presidente da CIP refere, é uma inevitabilidade. Contudo, a exigência não se cinge à manufatura e aos seus trabalhadores. Pela primeira vez, a transformação alcança em, talvez, maior escala, as empresas de serviços que recorrem a mão de obra qualificada.

 

Sendo otimista quanto à capacidade de resposta do indivíduo, é importante reconhecer que na história civilizacional o equilíbrio encontrado após cada choque tecnológico é institucionalmente distinto da anterior. Renovam-se, não apenas as organizações privadas, mas também as instituições sociais e políticas.

 

Para as empresas − edifícios sociais nevrálgicos de divisão de esforço e partilha de riscos - é fundamental antecipar o equilíbrio de forças emergente e empenhar-se voluntariamente num novo contrato (de responsabilidade) social que preserve a comunidade e os mercados, sem os quais a sua existência está ameaçada.

 

É bom pensar que estamos a assistir a uma nova relação das empresas com o trabalho, o capital, os clientes e o Estado. Possivelmente, a um novo modelo de organização social e político… Nem todas as respostas sociais estão na organização política! Será que não é já emergente?

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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