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Álvaro Nascimento 25 de Agosto de 2020 às 10:20

Esperança e confiança

A pandemia abriu a porta para a limitação das liberdades, confiando ao Governo um papel inequívoco de liderança na condução dos destinos do país.

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A FRASE...

 

"Mas qual é a dúvida de que as coisas falharam em Reguengos?"

António Costa, Expresso, 21 de agosto de 2020

 

A ANÁLISE...

 

São tempos anormais, não propícios a debates serenos e fundamentados sobre decisões de fundo para o país. A pandemia abriu a porta para a limitação das liberdades, confiando ao Governo um papel inequívoco de liderança na condução dos destinos do país. Situação justificada pelo colapso do funcionamento dos mercados e os receios fundados de contágio, e dos riscos de propagação de choques em cadeia. Todos aceitamos de bom grado a necessidade de um timoneiro seguro para, com serenidade, atravessar os tempos de turbulência. Isto, na expectativa de que, regressados à normalidade, as liberdades pudessem ser recuperadas.

 

Entretanto, se o princípio é fácil de enunciar, a sua aplicação não é isenta de dificuldades, nem livre de disputas e contradições. Dois episódios recentes evidenciam uma escalada de conflito institucional entre poderes públicos e privados, o que nos leva a questionar a necessidade de escrutinar as decisões governamentais, sem escamotear a urgência de uma discussão alargada e informada sobre decisões que implicam o futuro do país: o megaprojeto de investimento no hidrogénio verde e as falhas no caso do lar de Reguengos.

 

Em ambos os casos o Governo parece querer escapar à crítica sobre as decisões que tomou, ou pretende vir a tomar. No caso de Reguengos, desqualificando o relatório da Ordem dos Médicos, com o argumento de que a mesma não tem poderes de fiscalização sobre a matéria em apreço e, implicitamente, recomendando que esta se concentre apenas nas questões deontológicas e disciplinares da atividade médica.

 

No debate sobre o hidrogénio, descartando a necessidade de um debate técnico profundo sobre um tema que, atendendo aos montantes de financiamento público e às incertezas de natureza tecnológica, comporta o risco de poder vir a onerar o erário público, como aliás já aconteceu no passado com casos similares.

 

Estas duas polémicas - as mais mediáticas, talvez - não são artificiais e sinalizam o divórcio e mal-estar crescente entre as decisões dos políticos e a liberdade de expressão dos cidadãos. Num ambiente de tal crispação, é difícil ter esperança e confiança no futuro!

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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