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Álvaro Nascimento 31 de Agosto de 2020 às 19:02

Inquietações pertinentes

As empresas são organizações sociais, tal como o Estado e a política. Desempenham uma função crucial para os indivíduos, e a sua sustentabilidade depende do espírito de comunhão com a sociedade. É necessário deixá-las acordar naturalmente para o mundo...

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A FRASE...

 

"Nos primeiros oito meses de 2020 a Groundforce perdeu €59 milhões de receita."

 

 

Paulo Neto Leite, Expresso, 29 de agosto de 2020

A ANÁLISE...

 

Há questões pertinentes nos apoios de Estado às empresas e à economia. Perguntas com resposta nada fácil, que têm de balancear o equilíbrio de curto prazo e a sustentabilidade social. Dito de outra forma, a diluição e a repartição de prejuízos entre o presente e o futuro.

 

Auxiliar as empresas a manter-se à tona, tendo em vista preservar o emprego, foi a resposta de emergência imprescindível necessária. Contudo, como está bem de ver, com sucesso e eficácia temporários. Apenas seria uma panaceia para todos os males se a economia retomasse a trajetória inicial - i.e., a apregoada recuperação em V, que analistas e políticos esperavam ver.

 

A pandemia impactou de forma mais acentuada alguns setores que outros, fustigando especialmente os que estão na linha da frente, numa relação imediata com a mobilidade das pessoas e o turismo. Não é novidade e segue a lógica do multiplicador da despesa. Os economistas sabem que é assim. E também sabem que os efeitos se propagam aos restantes setores através das intermináveis conexões entre a oferta e a procura. É só uma questão de tempo!

 

Suspender a economia é como pôr um urso em hibernação. O risco está em acordá-lo antes do tempo. Tudo isto a propósito de duas questões centrais. A primeira, por quanto mais é razoável manter o regime de apoio de exceção, sabendo das implicações para a digestão e a azia? A segunda está em como pensar medidas transversais, não discriminatórias, que permitam aos poucos sair do estado de torpor e letargia.

 

As empresas são organizações sociais, tal como o Estado e a política. Desempenham uma função crucial para os indivíduos, e a sua sustentabilidade depende do espírito de comunhão com a sociedade. É necessário deixá-las acordar naturalmente para o mundo... à medida que chega a primavera e é tempo de rejuvenescimento. Prolongar o sono comatoso soltará extemporaneamente ursos agressivos,... com o inverno a regressar.

 

As empresas que estão agora na linha da frente do choque negativo ocupam o mesmo lugar quando os tempos eram de feição. Talvez por isso tenham conseguido o sucesso efémero dos retornos anormais, que outras menos expostas não terão beneficiado. Querem agora ceder a posição a outros! Não haverá instrumentos de política alternativos que consigam o mesmo objetivo de emprego e bem-estar, sem pensar especificamente na linha da frente?

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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