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Álvaro Nascimento 18 de Agosto de 2020 às 09:40

Liberdade e tolerância

Esta emergência individualista é terreno fértil para populismos e comportamentos segregacionistas. Não parecendo haver quem defenda e se preocupe com um denominador mínimo coletivo,... é cada um por si!

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A FRASE...

 

"Carlos César apela à união da geringonça."

Liliana Borges, Público, 17 de Agosto de 2020

 

A ANÁLISE...

 

E, de repente, parece que o discurso político se extremou! Radicalismos - que tanto podem ser de esquerda como de direita - sustentam discursos divisionistas que pegam como um fogo de verão numa seara seca de esperança e prenha de descontentamentos. O debate deslocou-se para as franjas deixando os que se encontram no centro - e, não deveria surpreender ninguém, que são o suporte de um Estado livre e democrático - órfãos e, logo, emancipados das preocupações dos políticos, que apenas parecem ocupar-se com minudências e minorias a quem vão dando mais palco público e maior projeção mediática.

 

E não é apenas Portugal. É o mundo! À falta de projeto social agregador, aprofunda-se a ideia de desigualdade, fervilham sentimentos de injustiça - entre novos e velhos, entre trabalhadores e capitalistas, entre assalariados e pequenos empresários, entre raças, entre géneros, e um sem-fim de divisões dicotómicas - ao mesmo tempo que cada um parece procurar, a todo o momento, o lado menos doloroso da via-sacra que é a vida moderna. Um calvário maior, que a pandemia elevou. Não sendo politólogo, esta emergência individualista é terreno fértil para populismos e comportamentos segregacionistas. Não parecendo haver quem defenda e se preocupe com um denominador mínimo coletivo,... é cada um por si!

 

Diz a razão que quem semeia ventos colhe tempestades. As instituições políticas e económicas deste início de século têm uma forte responsabilidade no equilíbrio - instável - em que hoje nos encontramos. É urgente recolocar o debate no máximo denominador comum, seja ele qual for, num espaço de tolerância e de liberdades, sabendo que os recursos coletivos (i.e., o planeta) são limitados e devem ser judiciosamente utilizados, para unir e não para dividir. É este projeto ideal de esperança que gostava de ver defendido por instituições públicas e privadas. Agora sim, num novo normal. Instituições fortes, capazes de evitar o esvaziamento do centro e repor um projeto social sustentável, sem o qual, tudo aponta, a transição para um novo equilíbrio não se afigura nada pacífica! 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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