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António Nogueira Leite 29 de Julho de 2020 às 19:29

Ambiente e alterações climáticas

A melhor solução passa por uma reforma urgente da organização Mundial do Comércio construindo tarifas alfandegárias indexadas a um índice de ecologia de cada país participante.

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A FRASE...

 

"As alterações climáticas e a degradação do ambiente representam uma ameaça existencial para a Europa e o resto do mundo." 

 

Pacto Ecológico Europeu, dezembro de 2019

A ANÁLISE...

 

Por razões que me escapam muita gente na direita mais conservadora tende a ignorar o enorme desafio que é colocado às alterações climáticas. Não é uma questão ideológica, é um tema complexo e global que tenderá a agravar-se e a exigir paliativos cada vez mais onerosos. Ignorá-lo apenas significa torná-lo um problema maior. Pior ainda, abre o campo a que vão ganhando terreno os piores devaneios do chamado eco-socialismo, levando à mitigação do problema por via do empobrecimento geral. Não tem de ser assim e não deve ser assim.

 

A solução é particularmente difícil pois, pela sua natureza, beneficiaria de um governo global, que não existe. Na sua falta cabe a cada bloco interiorizar que tem de fazer a sua parte mas que tal não basta, devendo atuar na construção de mecanismos que levem todos os demais a cumprir igualmente a sua obrigação para se atingir o bem comum.

 

Discutir esta questão ganha particular oportunidade na altura em que a Europa anuncia o seu "green deal". Concordo pessoalmente com a ideia de que a Europa lidere o movimento de consciencialização e ação mundial que permita alcançar e manter um planeta sustentável à vida humana e ao seu desenvolvimento. Mas a Europa não pode, nem deve, ignorar a natureza do fenómeno e, por outro lado, que todo o seu esforço terá um custo inicial de eficiência que os europeus pagarão (neste momento muitas tecnologias limpas são ainda menos eficientes, o que tenderá a mudar) com benefício de todos. Se os demais blocos não avançarem a sério na mesma direção, ganharão eficiência relativa e passarão o custo (a poluição gerada) para todos, incluindo os esforçados europeus. Como não há decisão centralizada e este equilíbrio não cooperativo entre os blocos não só não resolve o problema como afeta negativamente a Europa, o "green deal" não pode existir sozinho.

 

Como muitos já propuseram a melhor solução passa por uma reforma urgente da organização Mundial do Comércio construindo tarifas alfandegárias indexadas a um índice de ecologia de cada país participante. O princípio é o mesmo das consensuais taxas de carbono, levando os poluidores a investirem em poluir menos ou a sujeitarem-se a uma maior tributação no comercio. Se não avançar com este duplo objetivo, a Europa não resolverá o problema global das emissões e perderá o peso que precisa para impor uma solução no futuro.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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