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António Nogueira Leite 04 de Agosto de 2020 às 09:20

É fundamental haver escolha

Sabendo que iremos enfrentar, antes de recuperar, meses muito difíceis no plano social e económico, não é de excluir a recomposição da actual arquitectura governativa. No limite, mesmo eleições antecipadas.

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A FRASE...

"A direita um dia voltará ao poder, resta saber que direita."

João Marques de Almeida, Observador, 2 de agosto 2020

A ANÁLISE...

As notícias do início do mês sobre o desempenho da economia portuguesa no segundo trimestre não constituem uma surpresa ainda  que sejam historicamente negativas. A quebra homóloga de 16,5% (14,1% em cadeia) situa-se entre as piores da Zona Euro reflectindo o impacto das medidas de combate inicial à pandemia em curso e as fragilidades da economia nacional. Não só Portugal, com uma elevada dívida pública e uma despesa pública extremamente rígida - ainda mais após a política de "devoluções" do primeiro executivo do actual primeiro-ministro -, tem reduzida margem de manobra orçamental, como está muito dependente de sectores particularmente afectados pelos confinamentos e restrições à circulação internacional que, em boa parte, se mantêm e, ainda, tem as suas exportações concentradas em países muito debilitados pela actual crise dos quais Espanha, o maior destino das nossas exportações, é porventura o caso mais paradigmático.

Não dispondo de muitos recursos que possa mobilizar autonomamente, fruto de pelo menos 20 anos de más escolhas, Portugal está dependente do "orçamento federal" europeu e do modo como o aplicar. Porém, sendo muitos os meios, parece-me que o debate é frouxo, muito concentrado nos "fait divers" à volta da pessoa que o Governo escolheu para "pensar o futuro" de Portugal. Não vou perder tempo com a singularidade da situação lusa, mas apenas referir dois pontos que igualmente me causam perplexidade. Em primeiro lugar, a noção instalada de que precisamos de um grande plano de investimento e que as agora "canceladas do léxico público" reformas estruturais não são ainda mais importantes, implicando muitas delas investimento. Em segundo lugar, a ideia de que as principais alternativas do Governo não terão visões tão díspares sobre o que fazer. Talvez seja injusto, mas é a ideia que se vai instalando, fortalecida por algumas declarações menos pensadas.

Sabendo que iremos enfrentar, antes de recuperar, meses muito difíceis no plano social e económico, não é de excluir a recomposição da actual arquitectura governativa. No limite, mesmo eleições antecipadas. Os portugueses merecem por isso ter, desde já, verdadeiras opções de escolha fora dos extremos neo-marxistas e ultraconservadores. Porque não ter escolha no espaço da democracia e das liberdades engrossa os extremos. E o que estes trazem será catastrófico para o futuro de Portugal.

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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