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Opinião
Carlos Albuquerque 28 de Julho de 2014 às 20:00

A ilusão da superioridade

Os intervencionismos gostam destes dualismos ilusórios. Do absurdo dos "animal spirits". Irracionalidade e interesse no privado.

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A FRASE...

 

"Uma das frases que mais ouço nas Faculdades de Economia é que os privados gerem sempre melhor que o Estado. O problema não está na frase nem em quem a profere. O problema está nos que consideram que a frase é um axioma."

 

Ricardo Costa, Expresso, 26 de julho de 2014

 

A ANÁLISE...

 

As funções de produção são efetivamente melhor cumpridas pelos privados. Porque a coordenação das necessidades não pode ser eficientemente centralizada. Porque o empresário investe os seus próprios fundos e não dinheiros de outros. Porque o controlo de gestão é muito mais apertado. Porque a busca de eficiência resulta em ganho direto do empresário. Como o processo de descoberta e inovação. Porque não existem ciclos eleitorais a distorcer decisões. Porque os interesses corporativos perdem capacidade de exploração. Porque se materializa a liberdade de escolha. E porque as perdas não são assumidas pelos cidadãos. Mas capacidades e competências dos gestores não diferem. E a dicotomia entre gestores privados e públicos é absolutamente irrelevante. E a generalização perversa. Até porque se erra todos os dias em todos os sectores. E os interesses individuais têm a mesma natureza. A humana.

Os intervencionismos gostam destes dualismos ilusórios. Do absurdo dos "animal spirits". Irracionalidade e interesse no privado. Pureza e superioridade no público. Regulam para disciplinar. Policiam para cumprir. Anulam a obrigação de pensar. Trocam a responsabilidade individual pelo paternalismo burocrático. Alimentam o utopismo da exatidão. Até ao dia em que as palavras não chegam. Nem as regras. Nem as certezas. E o suporte não existe mais. Porque nunca poderia ter existido. A realidade não se faz de ilusões. Mas de verdades. E é certo que a verdade dói. Mas a ilusão mata.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

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