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Carlos Albuquerque 20 de Outubro de 2014 às 18:50

Dói-me a vida, Doutor!

Muitos continuam a advogar o mesmo modelo. Despesas. Défice. Dívidas. E o resultado de muito menos que nada. Por isso, às vezes, é difícil não perder a esperança. E aí resta-nos aprender com o menino poeta do Mia Couto. Doí-me a vida, Doutor, dizia ao seu médico.

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A FRASE...

 

"Não concordando com a estratégia de austeridade do Governo, reconhece-se que faz sentido a estratégia adoptada num ano de eleições: não fazer ondas; não agravar a austeridade; esperar que as receitas jorrem e que a austeridade dos últimos anos silencie Bruxelas"

 

Ricardo Cabral, Público, 16 de outubro de 2014

 

A ANÁLISE...

 

Em tempo de discussão do orçamento, é bom recordar os últimos 10 anos. E alguns dados importantes. Para não nos esquecermos. Para meditarmos neles. Para tentar melhorar? Para não repetir? Para manter ainda alguma esperança no futuro? Porventura para tudo isto.

 

O défice das contas públicas foi sempre negativo. Face ao PIB, em 2004, foi de -4,0%. Em 2005, -6,5%. Em 2006, -4,6%. Em 2007, -3,1%. Em 2008, -3,6%. Em 2009, -10,2%. Em 2010, -9,8%. Em 2011, -4,3%. Em 2012, -6,4%. Em 2013, -4,9%. Somados, todos estes défices atingem mais de 95 mil milhões de euros. São 56% do PIB de um ano. No mesmo período, as necessidades de financiamento do setor público, em termos acumulados, somaram mais de 106 mil milhões de euros. São 62% do PIB de 2013. Quase metade da dívida total do Estado. E metade dos juros que todos os anos saem dos cofres públicos. Em 10 anos hipotecámos mais o nosso Estado que nos anteriores 30 anos ou 40 anos da história recente. Em nome do Estado Social. Mas na inconsciência do desequilíbrio de contas. Na sobrecarga das gerações futuras. E na demagogia sobre a responsabilidade.

 

Muitos continuam a advogar o mesmo modelo. Despesas. Défice. Dívidas. E o resultado de muito menos que nada. Por isso, às vezes, é difícil não perder a esperança. E aí resta-nos aprender com o menino poeta de Mia Couto. "Doí-me a vida, Doutor, dizia ao seu médico. E o que fazes quando te assaltam essas dores? Perguntava o médico. O que melhor sei fazer, Excelência, sonhar!"

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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