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Opinião
Jorge Marrão 22 de Julho de 2015 às 20:25

A austeridade foi-se!

Os que governam prometem pouco. Para estes, a realidade é realista. Vemos do lado onde estamos. Os que se recusam a vê-la alimentam uma chama utópica. Com a primeira ventania esta apaga-se, e voltamos ao conservadorismo do que temos.

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A FRASE...

 

"Não há. No fracasso e na frustração são todos devedores. Somos. Estamos. Todos a débito numa falência coletiva."


Sérgio Figueiredo, DN, 20 de Julho de 2015

 

A ANÁLISE...

 

Nasceu um novo ciclo económico: o da contenção pública. O euro é pois uma contenção política inexorável. O euro não é uma moeda, mas sim a cara e a coroa de uma nova classe política. Os que governam prometem pouco. Para estes, a realidade é realista. Vemos do lado onde estamos. Os que se recusam a vê-la alimentam uma chama utópica. Com a primeira ventania esta apaga-se, e voltamos ao conservadorismo do que temos. Parece que ficamos honrados e austeros, mas sem ideias e futuro. É o contrário: o futuro nascerá sem que os governos dêem por isso. Compreendermos que não haverá emprego sem empresas, que não teremos salários sem produtividade, que não teremos reformas sem poupança prévia, e que não podemos consumir o que não produzimos.

 

Se todos os partidos do arco de governação defendessem acerrimamente a aplicação do memorando e o estrito respeito das regras do euro, não se fundiam. Obrigavam a sociedade a mudar, como se demonstrou com a violenta austeridade. Não é por acaso que alguns governantes e ex-deputados de Soares, Cavaco, Guterres e Sócrates se uniram no espaço público, baralhando as posições de esquerda e direita no espectro político. Têm um partido comum: o de anti-austeridade. Nunca souberam o que era governar com restrições financeiras sem moeda própria. Paradoxal foi defender a adesão ao euro e querer agora a liberdade do escudo. Livrarmo-nos dos credores é viver de outra forma. As voltas que a vida dá. Sem o sabermos já pertencemos à União Federal (desculpem o incómodo, prometemos ser breves).

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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