Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Jorge Marrão 07 de Março de 2016 às 20:45

A política não serve

Este sistema político de partidos enfeudados a grupos de eleitores, a interesses sindicais e corporativos servirá apenas para se dedicar à redistribuição. Tem os dias contados.

  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

A FRASE...

 

"Gostava mesmo muito de saber quando e como é que o aumento de impostos promove o crescimento."

 

Luís Marques, Expresso, 6 de Março de 2016

 

A ANÁLISE...

 

Para que serviu a política num país que economicamente estagnou nas últimas duas décadas? Para efeitos de crescimento económico, não serviu. E não servirá para nada se insistir nas teclas da redistribuição e eliminação de injustiças como elemento central do Orçamento do Estado. De boas intenções governativas não só está o inferno cheio, como os portugueses.

 

Quarenta anos parece ser o tempo para mover os nossos brandos costumes. Tratou-se da mudança de um regime de ditadura para um democrático. Vamos agora revoltar-nos contra a democracia? Ou contra esta democracia? A quem nos queixamos das escolhas que fizemos nestas duas últimas décadas?

 

Os impostos não são, em abstrato, um problema para o crescimento económico. A sua magnitude e sua aplicação em despesa já o serão para a liberdade do indivíduo e da sociedade. Os orçamentos são essencialmente máquinas redistributivas: retiram-se rendimentos (isto é, qualidade de vida e estímulo para trabalhar, poupar e consumir) a uns portugueses para se dar outros com a eterna capa de eliminação de injustiças. À maior de todas, a falta de crescimento económico, responsabilizamos sempre o "estrangeiro" e os "ricos" (a Europa, os credores, a globalização, os banqueiros e os empresários).

 

E como toda a despesa pública (quem vem dos impostos e dos credores) será receita privada, haverá sempre uns "privados" interessados e interesseiros felizes com a boa-nova que é redistribuição de mais impostos de um recente orçamento.

 

Este sistema político de partidos enfeudados a grupos de eleitores, a interesses sindicais e corporativos servirá apenas para se dedicar à redistribuição. Tem os dias contados, enquanto os portugueses contam os dias. O baile deve estar a terminar, mas a velha orquestra continua a tocar.  

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Mais lidas
Outras Notícias