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Jorge Marrão - Gestor 18 de Abril de 2016 às 20:20

A troika desavinda

Só um consenso estratégico e recato institucional entre a troika financeira (governo, banqueiros e reguladores) nos pode tirar deste indecoroso filme de julgamentos televisivos.

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A FRASE...

 

"Há muito que se pode fazer. Mas é tão curto pensar que houve apenas um culpado, um caminho para aqui se chegar, como é dizer que há apenas um caminho e uma forma daqui sair."

 

Henrique Monteiro, Expresso, 16 de Abril de 2016

 

A ANÁLISE...

 

O soberano, o banqueiro e o regulador sempre fizeram a aventura económica em conjunto, gostando-se ou não das suas vestes. Os avisos do BCE às políticas orçamentais dos governos, e as tiradas dos governos e oposições na Alemanha, ou em Portugal, à política regulatória apenas confirmam a interdependência institucional para a regulação de um país.

 

A regulação do euro, que ajudou a que confluíssemos neste porto desabrigado, não foi de esquerda ou de direita. Tinha uma ideia sobre o sistema bancário europeu, e sobre o preço do dinheiro (baixo). O Estado, as empresas e as famílias acomodaram-se a isso. As consequências estão à vista.

 

A longo prazo, os ataques da política aos banqueiros e reguladores são sempre tiros nos pés. Os bancos seguem o modelo de incentivos à economia de uma sociedade determinado pelos governos legítimos. Ambos vivem com o dinheiro dos outros (impostos e depósitos). Os erros sistémicos da banca pagá-los-emos, como suportaremos, por décadas, as más decisões governativas.

 

As comissões de inquérito aos bancos e seus reguladores, pela natureza da crise, a serem feitas em catadupa, e a cada governo, qualquer que seja a cor partidária, revelam que afinal é um regime político na sua globalidade que estará sentado à mesa da História. E ninguém é bom juiz em causa própria.

 

Só um consenso estratégico e recato institucional entre a troika financeira (governo, banqueiros e reguladores) nos pode tirar deste indecoroso filme de julgamentos televisivos. A destruição institucional faz-nos recuar no tempo. Percebe-se porque estamos na periferia.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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