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Carlos Albuquerque 04 de Fevereiro de 2014 às 00:01

De BRIC a "bracs"

A política monetária gerou excessos de liquidez nos países mais desenvolvidos. Uma parte foi aplicada nos BRIC. Insuflando os preços. Criando bolhas de especulação. Alimentando baixas taxas de juro. Atraindo mais capitais. Desestabilizando as relações cambiais.

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A FRASE...

 

"A política monetária da Reserva Federal dos EUA e o crescimento económico da China credibilizaram os BRIC. Os 190 mil milhões de dólares anuais de investimento externo transformaram-se em um bilião a partir de 2010." 

 

Miguel Monjardino, Expresso, 1 de fevereiro de 2014.

 

A ANÁLISE…

 

A intervenção do estado na economia é justificada com os efeitos nocivos de certas atividades privadas sobre a sociedade. Sobre terceiros não envolvidos na decisão. E sobre o bem-estar social, em geral. Porque o mercado tem falhas. Porque as empresas criam externalidades. Porque o privado pode ser elemento de perturbação social. E o público a solução de todos os males. Uma permanente assimetria de análise. Entre as virtudes estatais e os vícios dos privados. Apesar das pessoas.

A política monetária gerou excessos de liquidez nos países mais desenvolvidos. Uma parte foi aplicada nos BRIC. Insuflando os preços. Criando bolhas de especulação. Alimentando baixas taxas de juro. Atraindo mais capitais. Desestabilizando as relações cambiais. Criando ilusões de investimento. Gerando sonhos em noite de verão. Como se as folhas nunca caíssem. E o inverno não chegasse.

Com o fim destas políticas "acomodatícias" dos bancos centrais, o círculo vicioso quebra-se. Repatriam-se capitais para os países de origem. Baixa o investimento nos mercados em desenvolvimento. Estes desvalorizam as moedas. Sobem as taxas de juro. E surge alguma sombra no brilho daqueles que foram as estrelas dos últimos anos.

Não se sabe se é fim de ciclo. Mas ficam as consequências nefastas sobre terceiros de certas políticas monetárias. Externalidades públicas. E, por isso, os BRIC - símbolos do crescimento - correm agora o risco de se transformar em "bracs" - países de maior risco na economia mundial.

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

 

Este artigo de opinião foi escrito em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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