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Carlos Albuquerque 07 de Janeiro de 2014 às 00:01

Dor e pecado. Tudo isto é fado?

O poder das corporações depende fundamentalmente da dimensão do Estado. Governantes rigorosos reduzem pontualmente a escala e dificultam o seu poder. Mas o sistema global não evita, no estado social, a utilização dos bens públicos para fins menos justos. Os interesses, combinados dentro e fora do Estado, vivem no mesmo tom e da mesma mesa.

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A FRASE…

 

"E hoje ainda continuo a pensar o mesmo: os três grandes males profundos que fazem deste um país sempre à procura de um destino são a aposta na proteção do Estado, o poder das corporações e a inveja. Cada um por si, é terrível; todos juntos, são uma combinação fatal.

 

Miguel Sousa Tavares, Expresso, 4 de janeiro de 2014

 

A ANÁLISE...

 

Almas vencidas. Noites perdidas. Sombras bizarras. Na Mouraria, canta um rufia, choram guitarras. Amor ciúme. Cinzas e lume. Dor e pecado. Tudo isto existe. Tudo iste é triste. Tudo isto é fado. Amália em dó maior.

O Estado é um mecanismo de distribuição de dinheiro. Cobra-o aos que pagam impostos (em tons de cinza e dor). Entrega-o aos beneficiários da despesa pública (em lume quente e sonoridades de ciúme). Cobra a todos. Entrega a uns tantos. Tem duas justiças. A dos que pagam (queriam menos). A dos que recebem (queriam mais). No paço, as sombras das corporações ocupam o palco e o cantor, muitas vezes, canta a música que lhe ditam, em notas de benefícios desproporcionados.

O poder das corporações depende fundamentalmente da dimensão do Estado. Governantes rigorosos reduzem pontualmente a escala e dificultam o seu poder. Mas o sistema global não evita, no estado social, a utilização dos bens públicos para fins menos justos. Os interesses, combinados dentro e fora do Estado, vivem no mesmo tom e da mesma mesa.

As corporações dançam a valsa dos gastos públicos e cantam a demagogia da felicidade dos povos. Riem-se das guitarras que choram a dor dos contribuintes. E só se dominam reduzindo o peso e o papel do estado na sociedade. Com processos justos e transparentes. Mas liberalizando. Esvaziando a mesa. Obrigando-as a cantar a cantiga dos mercados e da concorrência. E aí a música é outra.

E a inveja? Dor e ciúme. Choram guitarrras. Sempre pecado. Mas isso, é mesmo fado.


Este artigo de opinião foi escrito em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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