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Opinião
José M. Brandão de Brito 10 de Dezembro de 2014 às 19:00

E agora, algo diferente

Enquanto o país se atém paralisado aos desenvolvimentos novelescos de dois casos hipermediáticos que entrecruzam justiça e política, o mundo lá fora discute com preocupação o evento internacional mais dramático desde o clímax da crise de dívida soberana europeia em 2011: a queda de 40% do preço do petróleo em apenas seis meses.

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A FRASE...

 

"The prices of oil and other commodities continue to fall sharply. (…) Net commodity-importing countries in particular will benefit."

 

BIS Quarterly Review, 8 de dezembro de 2014 

 

A ANÁLISE...

 

Tão significativa redução do custo do mais importante input à produção deveria ser recebido com regozijo global não fora as suas insondáveis implicações geoestratégicas que decorrem da elevada dependência de países historicamente instáveis das receitas do petróleo. É o caso da generalidade dos países do Médio Oriente, da Venezuela e da Rússia. Mas é também o caso dos EUA, onde o tombo do preço do petróleo paira como uma nuvem negra sobre a indústria de extração de "petróleo de xisto" - uma das atividades que presentemente mais contribui para o investimento e o emprego e que permitiu aos norte-americanos tornarem-se um dos maiores produtores mundiais de crude. Como estas dinâmicas se vão interligar e com que consequências é impossível de vaticinar, mas os ensinamentos da história a respeito da luta pela supremacia do petróleo não são tranquilizadores.

 

Para Portugal, o que importa é que a queda de 40% do preço do petróleo corresponde a um subsídio à economia nacional de cerca de 3 mil milhões de euros, que irão parar diretamente ao bolso das empresas e famílias e, indiretamente por via fiscal, aos cofres do estado. Se a isto somarmos o reduzido nível das taxas de juro e a maior predisposição dos bancos para emprestar, pode ser que o ano novo nos brinde com uma boa surpresa de índole económica. A guerra do petróleo não é nossa, mas desta feita os despojos são-nos favoráveis.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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