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Jorge Marrão - Gestor 12 de Setembro de 2016 às 20:05

Empobrecer alegremente

Admitindo que o investimento médio feito em Portugal tem um período esperado de recuperação de duas legislaturas, facilmente percebemos porque não há novo fôlego empresarial.

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A FRASE...

 

"Agora é preciso crescer"


Marcelo Rebelo de Sousa
, Expresso em 10 de Setembro de 2016

 

A ANÁLISE...

 

A estabilidade política atual – notória pela capacidade que os partidos têm de chegar a acordo nas matérias ideologicamente mais sensíveis – pode ser paradoxalmente a razão do reduzido e errático investimento privado interno e externo? A sociedade produz, em geral, três tipos de investidores: os que querem manter o que têm, e os que querem vir a ter mais do que têm, ou simplesmente criar o que não temos. Aqueles basicamente aproximam-se naturalmente do Estado para garantir posições conquistadas, influenciando um conjunto de políticas públicas para reduzir o risco da perda de posição. Os outros – os que desafiam o "status quo", e fazem uma sociedade crescer dinamicamente – procuram um contexto de atuação global favorável, um regime concorrencial livre, pois sabem que a retaliação dos instalados será feroz.

Estes comportamentos das empresas são idênticos em Portugal, como em qualquer outro país da Europa. Desafortunadamente, a classe política distributivista desconfia dos privados, das empresas e da concorrência. Mas, desconfia mais de quais?

 

Convive melhor com os empresários instalados – que têm o seu mérito – e apenas prefere-os, porque estes lhes servem o propósito de não destruir os empregos atuais no seu ciclo eleitoral e legislativo. Esquecem-se assim de criar os empregos futuros. Estes, para existirem, têm de ser de mais elevada produtividade. É esta produtividade que faz uma empresa sobreviver, e destruir a outra. Por via indireta, mata-se assim o crescimento da produtividade e do país.

Admitindo que o investimento médio feito em Portugal tem um período esperado de recuperação de duas legislaturas, facilmente percebemos porque não há novo fôlego empresarial. Nenhum português se atreverá a vaticinar em tão largo período que as próximas políticas públicas vão centrar-se na criação de riqueza vs. a da sua distribuição. Qual a razão para um empresário acreditar nessa mudança? Não crescer economicamente é empobrecer comparativamente. É uma habilidade política fazê-lo sem crispação e com afetos.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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