Paulo Carmona
Paulo Carmona 05 de junho de 2019 às 20:00

Ninguém é burro

Este Tito era um revolucionário socialista, tão preocupado com os pobres, os trabalhadores e os excluídos, que dispensou eleições democráticas mal chegou ao poder.

A FRASE...

 

"Na Operação Teia estão em causa crimes de corrupção, tráfico de influência e peculato." 

 

I online, 4 de junho de 2019

 

A ANÁLISE...

Era uma vez um país governado por um Marechal, Tito de seu nome. Era um país algo artificialmente constituído, a partir dos escombros do Império Austro-húngaro e entretanto desaparecido, colapsado numa guerra, e a sua geografia espalhada por 6 países. Como revolucionário e socialista, Tito governava o seu país sem eleições e com a ajuda duma polícia política repressiva, mais "light" que os seus vizinhos do Bloco socialista soviético, mas suficientemente temida. Este Tito era um revolucionário socialista, tão preocupado com os pobres, os trabalhadores e os excluídos, que dispensou eleições democráticas mal chegou ao poder. Para quê dar-se a esse trabalho quando ele é que sabia o que os pobres necessitavam, mais ainda que os próprios pobres… Com certeza o que faria a nossa esquerda bloquista e comunista, que com ele partilha a cartilha revolucionária socio-comunista. A superioridade dessa esquerda, os dogmas incontestados, os tiques totalitaristas, atacar o mensageiro para não discutir a mensagem, está tudo lá, ou melhor, cá. E uma breve leitura do Triunfo dos Porcos é sempre de uma salutar profilaxia democrática. A roupagem é nova, o chassis é o mesmo.

 

Esta história do Marechal Tito, para os mais novos, é a propósito duma anedota que circulava na antiga Jugoslávia. O humor era uma forma de crítica subtil nos ditos países socialistas, usando o poder do ridículo. Lembro-me de, ainda jovem anticomunista primário de batismo na Alameda com esse saudoso Mário Soares, ler um livro de piadas chamado "O comunismo será solúvel em álcool?". Nele havia uma com particular atualidade. "Certa vez discutia--se no Comité Central se deveriam gastar uma verba a mais nas escolas ou nas prisões". Até que o Marechal interrompeu a discussão e disse com ar matreiro: "Provavelmente é melhor gastar nas prisões porque com a nossa idade não corremos o risco de voltar à escola…"

 

O poder político em Portugal não é burro. Entre as progressões nas carreiras dos professores, que iam provocando uma crise gravíssima que poderia levar à demissão em bloco do Governo, ou aumentar os juízes acima do salário do primeiro-ministro, a escolha foi simples. Com a idade dos nossos políticos e possíveis casos de corrupção que teimam em aparecer… fácil.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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