Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 31 de agosto de 2016 às 19:20

Prazo de validade

Os balanços dos políticos, nas quatro décadas da democracia, têm imparidades mais graves do que são as imparidades bancárias. São as imparidades entre o valor das promessas e o valor das realizações.

A FRASE...

 

"Andamos e vamos continuar a bancar os prejuízos da banca e a culpa não é deste governo de esquerda que chegou há uns meses, é dos banqueiros."

 

Paulo Baldaia, Diário de Notícias 28 de Agosto de 2016


A ANÁLISE...

 

O prazo de validade das mentiras esgota-se quando se conhecem as verdades. O que se encontra nos balanços da Caixa Geral de Depósitos mostra que as empresas públicas (e o banco público) não são entidades dedicadas à realização de um interesse público geral e abstracto, estão ao serviço dos seus funcionários e dos que capturam o Estado para realizarem os seus objectivos e as iniciativas dos interesses que representam. A questão não está na evidência da captura do Estado por interesses particulares, a questão está na insistência com que se tenta ocultar esta evidência.

 

Os balanços dos bancos registam as imparidades entre os créditos concedidos e o valor dos activos em que esses créditos foram aplicados. A responsabilidade do banqueiro é impedir que isso aconteça. O dinheiro que emprestam não é deles, é dos depositantes. O mínimo a que se obrigam é de repor o dinheiro que não é deles. O banqueiro que não cumpre este mínimo, não tem idoneidade - perde o capital que tiver investido na actividade e fica impedido de a exercer. Os funcionários que colaboraram sem resistir, não têm competência - perdem os seus empregos e ficam sem qualificações profissionais. Acima dos banqueiros estão os políticos, e o mínimo a que se obrigam é impedir que os banqueiros não tenham idoneidade e que os funcionários bancários não tenham competência.

 

Os balanços dos políticos, nas quatro décadas da democracia, têm imparidades mais graves do que são as imparidades bancárias. São as imparidades entre o valor das promessas e o valor das realizações. Destruíram um modelo de desenvolvimento com crescimento e quiseram implantar um modelo de desenvolvimento com distribuição - gastaram o que havia e, como se vê no volume da dívida, o que não havia. Os banqueiros só fizeram o que os políticos mandaram fazer.

  

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

 

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