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Joaquim Aguiar 26 de Maio de 2020 às 10:15

Avançar sem mapas

A solução para a dívida contraída e registada (e só os ignorantes podem pensar que não se paga) está na criação de valor dos activos para que a dívida venha a ser transformada em capital.

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A FRASE...

 

"A esquerda sozinha não consegue resolver os problemas. A direita sozinha também não. Muito menos um só partido. Não custa reconhecer o inevitável."

António Barreto, Público, 24 de Maio de 2020

 

A ANÁLISE...

Uma crise de descontinuidade não é só uma quebra nas séries estatísticas que impede a comparação com o passado. Também os mapas que estão em memória são todos anteriores à descontinuidade, para a frente não há mapas. Terá de se avançar para o desconhecido por tentativa e erro - resta esperar que os erros que houver sejam corrigidos depressa e que não se caia na repetição dos erros do passado. As ideologias do progresso não servem para nada quando de onde se vem não indica para onde se vai. As ideologias da tradição têm de negar a evidência da descontinuidade, são ilusões da memória sem potencial de projecto. Resta reconhecer a evidência da mudança e desenhar os mapas à medida que se avança.

 

Na óptica dos recursos, é preciso mudar de escala. A descontinuidade provocada por uma crise sanitária que gera uma crise económica sem precedentes nos números e nos processos revela a exiguidade dos Estados nacionais na Europa. O endividamento resultante só pode ter resposta na escala comunitária, nas suas instituições e políticas comuns, com a moeda comum a ser complementada pela união bancária e pelo orçamento comum com receitas fiscais comuns que superem a separação entre o Norte e o Sul na Europa.

 

Na óptica dos valores e das atitudes, é preciso valorizar a competitividade e subordinar a distribuição ao que for a contribuição, directa e indirecta, para o crescimento. A solução para a dívida contraída e registada (e só os ignorantes podem pensar que não se paga) está na criação de valor dos activos para que a dívida venha a ser transformada em capital.

 

Na óptica das alianças, a aritmética da formação de maiorias de poder é uma receita para a paralisia e para a fuga às responsabilidades. O que será decisivo, como sempre acontece depois de uma descontinuidade, é a qualidade da plataforma estratégica para a formação das maiorias de poder - e essa qualidade é função da escala e dos valores e atitudes. Não custa reconhecer o inevitável.

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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