Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 20 de junho de 2016 às 19:55

A roda dos culpados

Os que compraram eleitores com promessas e ilusões difundiram a epidemia do imaginário, que prende agora eleitos e eleitores, economia e sociedade, num presente que nem tem futuro, nem quer compreender o que foi o seu passado.

A FRASE...

 

"Cada crise tem o seu culpado. Nunca é unânime, há sempre polémica, mas, em cada momento, um culpado sobrepõe-se aos outros."

 

António Barreto, Diário de Notícias, 19 de Junho de 2016 

 

A ANÁLISE...

 

Einstein afirmou que "Deus não joga aos dados com o universo". É uma evidência para os praticantes das ciências físicas, onde pode haver teorias concorrentes sobre o que é o real, mas as teorias não alteram a realidade e, no fim, o real vence sempre. Nas ciências sociais, os que produzem as teorias fazem parte dos processos que teorizam, o que os leva para a tentação de quererem ser mais do que Deus e jogarem aos dados com o universo que analisam e onde tomam decisões. A divindade não se autoriza a mudar o que fez, mas os homens atribuem-se a liberdade de fazer e de desfazer em função das suas conveniências, sem considerar o efeito das suas acções passadas no que irá ser a expansão ou a contracção das suas possibilidades futuras. Confundem o imaginário que produzem com o real que deviam interpretar, e nem concretizam o que imaginaram, nem compreendem o real que queriam transformar. Confundem a expressão da vontade com a possibilidade do real, e terminam na dívida, na estagnação e na busca de outros culpados para se apresentarem como inocentes - para recomeçarem a repetição dos erros.

 

O que acontece e que tem de ser explicado, ou o que tem de ser antecipado para que não aconteça, ou o que tem de ser corrigido depois de ter acontecido não são produtos da sorte e do azar. Fracassos, falências, crises, são os resultados, naturais e previsíveis das acções dos que decidiram em função dos seus imaginários, dos seus interesses e das suas ilusões, que não tiveram a prudência de acautelar os equilíbrios de viabilidade no presente e de sustentabilidade no futuro.

 

Os que compraram eleitores com promessas e ilusões difundiram a epidemia do imaginário, que prende agora eleitos e eleitores, economia e sociedade, num presente que nem tem futuro, nem quer compreender o que foi o seu passado.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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