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Opinião
Joaquim Aguiar 01 de Abril de 2014 às 00:01

A sentença do futuro

O futuro é o tribunal de última instância da política. O presente, com a tragédia da dívida, é o tribunal que formula a sentença para o projecto dos 3D (descolonização, democratização, desenvolvimento).

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A FRASE...

 

"Segundo projecção do Instituto Nacional de Estatística, o país poderá perder mais de quatro milhões de habitantes nos próximos 46 anos se não aumentar a natalidade e inverter os saldos migratórios."

 

Notícia do Público, 29 de Março de 2014.

 

A ANÁLISE...

 

As intenções, ou as retóricas heróicas, são irrelevantes para o julgamento da política, só conta a realidade efectiva das coisas. O futuro, anunciado nas tendências que o presente projecta nas assimetrias demográficas, irá impor a sentença de um suicídio colectivo se esta evidência não impuser a mudança de comportamentos, de sistemas de políticas e de selecção de objectivos onde se apliquem recursos que serão decrescentes.

 

Um modelo social (com tradução constitucional) que se revela insustentável não será um modelo nem preserva a existência da sociedade. Porque não é um modelo, não poderá ser reparado através de correcções das partes que o compõem: o que se corrige num ponto é logo a seguir desequilibrado pelo que acontece noutros pontos. Mas porque nenhuma correcção é eficaz, a sociedade fragmenta-se e desagrega-se, com diferentes grupos a procurarem uma fórmula de sobrevivência que, a existir, será sempre temporária.

 

As sociedades maduras desenvolvidas (na Europa, no Japão, nos Estados Unidos) estão obrigadas a absorver os desequilíbrios que acumularam nos seus diferentes passados quando não podem esperar voltar a ter as altas taxas de crescimento a que se tinham habituado e que embutiram nos dispositivos de financiamento das suas políticas sociais. A evidência demográfica rompe o último véu da ilusão.

 

Os que não aceitam que o passado já não existe não poderão evitar a sentença do futuro.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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