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Joaquim Aguiar 09 de Julho de 2018 às 19:55

Alternativa vazia

O "nosso défice" não têm nada que ver com os constrangimentos e as regras da União Europeia, são nossos, feitos por nós. Já foi assim na bancarrota de 1891-1892.

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A FRASE...

 

"A estagnação das águas do pântano vem da conjugação da nossa dívida, do nosso défice, com os 'constrangimentos' europeus, as 'regras' europeias, emanando das obrigações do Tratado Orçamental e das políticas da troika que estão bastante mais vivas do que se pensa."

 

José Pacheco Pereira, Público, 7 de Julho de 2018

 

A ANÁLISE...

 

Mesmo nas situações extremas é possível formular uma alternativa que sirva de linha de orientação ou de ambição para o futuro. O pecador pode criar a alternativa da santidade, o preso pode imaginar a alternativa da liberdade - ainda que o pecador continue a pecar e o preso continue na cela, ambos sabem o que deveriam fazer para que o seu futuro seja diferente do seu presente.

 

Os críticos da União Europeia, ou os que são críticos da moeda comum e do Tratado Orçamental porque consideram que são desvios ao modelo originário de uma união de Estados soberanos, apresentam-se agora como nacionalistas populistas, proponentes de uma revolução conservadora que retoma os mesmos valores e os mesmos métodos do nacionalismo socialista da Alemanha e do corporativismo fascista de Itália dez décadas depois da sua ascensão e queda. O paradoxo desta actual revolução conservadora está na conversão da estratégia imperialista do nacional-socialismo (que se propunha construir o império do III Reich com os seus aliados do fascismo italiano) numa estratégia de afirmação da recuperação do controlo nacional-populista dentro das fronteiras, o que implicaria a desagregação da União Europeia (que foi sempre o objectivo da União Soviética e é agora o objectivo da Rússia e dos Estados Unidos de Trump).

 

A alternativa apresentada pelos que rejeitam as políticas comuns das instituições da União Europeia é realizável, basta-lhes multiplicarem os "brexits". Mas é uma alternativa vazia. Só depois de a seguirem descobrirão o buraco em que se meteram, ficando sem condições de financiamento, sem instrumentos de política económica e sem escala de mercado para poderem sair do buraco em nacional-populismo os fez cair. Não tinha de ser assim. Bastaria terem pensado e ficariam a saber que a "nossa dívida" e o "nosso défice" não têm nada que ver com os constrangimentos e as regras da União Europeia, são nossos, feitos por nós. Já foi assim na bancarrota de 1891-1892, já foi assim em duas operações de emergência com o FMI em 1978 e em 1983 - sem constrangimentos e regras da União Europeia.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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