Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 21 de abril de 2014 às 20:40

As imparidades na política

Esta é uma crise política que não se resolverá por mudança de maiorias, pois ninguém tem o programa do futuro enquanto não se abandonar os erros do passado.

 

A FRASE...

 

"Foi uma tragédia, num momento como o que vivemos, termos alguém tão impreparado a chefiar o Governo."

 

Pedro Adão e Silva, Um Primeiro-Ministro, Expresso, 18 de Abril de 2014.

 

A ANÁLISE...

 

O que é estar preparado para chefiar o Governo num tempo de crise quando se tem de suceder a uma longa série de chefes de Governo (supostamente bem preparados) que conduziram a sociedade por trajectórias que a fizeram cair no abismo da impossibilidade, numa crise extrema em que o passado não liga com o futuro e o presente é o precipício da queda? Os que estavam preparados (e ainda hoje não compreendem o que aconteceu) terão sido melhores do que o actual, talvez impreparado, mas que tem a vantagem de reconhecer que a sociedade mergulhou numa impossibilidade e que sabe, por ciência ou por instinto, que o futuro não pode ser a continuidade do passado?

 

Esta é uma crise política que não se resolverá por mudança de maiorias, pois ninguém tem o programa do futuro enquanto não se abandonar os erros do passado. Esta é uma crise gerada pela impossibilidade do modelo de sociedade que os eleitores foram estimulados e condicionados a desejar pelos sucessivos governantes que foram elegendo em 14 eleições, 7 das quais foram antecipadas. Não foi por pouco perguntar que não se encontrou a resposta.

 

Há imparidades nos balanços quando o valor registado dos activos não corresponde ao valor que esses activos têm no mercado. Também há imparidades na democracia quando o anunciado na propaganda eleitoral não corresponde ao que é realizado na economia e na sociedade. Os sucessivos candidatos eleitos, supostamente bem preparados e como tal legitimados pelos eleitores, anunciaram o que não sabiam produzir. Prometeram o paraíso, conduziram para as trevas do abismo.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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