Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 27 de agosto de 2013 às 00:01

Dor e infecção

A infecção da dívida só encontrará tratamento com a mudança de natureza dos dispositivos das políticas públicas, ajustando-os ao que tem sido a evolução da sociedade e da economia.

A FRASE...

 

"O que os nossos políticos deviam discutir não era a dívida elevada, mas como diminuí-la e torná-la sustentável. (…) Portugal não dispõe dos instrumentos necessários para tornar sustentável a sua dívida nem para regressar aos mercados por sua conta e risco".

A dívida habitual, Editorial do Expresso, 24 de Agosto de 2013

 

A ANÁLISE...

 

Tirar a dor com um analgésico não é a mesma coisa que tratar a infecção. É preciso conhecer a origem da dívida, onde está a fonte da dívida, onde está o foco da infecção. O indicador que conta para a avaliação da dívida é a capacidade de a pagar, comparando o crescimento da dívida com o crescimento do produto. Se o que tem de ser feito gerar efeitos económicos e sociais que diminuem o potencial de crescimento, será impossível a continuidade destes dois padrões, o da dívida e o do crescimento do produto.

A infecção da dívida só encontrará tratamento com a mudança de natureza dos dispositivos das políticas públicas, ajustando-os ao que tem sido a evolução da sociedade e da economia. As coisas, as pessoas e as contas são o que são e não o que se idealizou que viessem a ser e não são.

A infecção da dívida só encontrará tratamento com a mudança da natureza dos dispositivos de políticas públicas que geram endividamento – porque a economia e a sociedade já mudaram. A infecção que provoca a anemia do crescimento só encontrará tratamento com uma cultura da competitividade que substitua a distribuição (que está a ser financiada pela dívida e não pela transferência de rendimentos através dos impostos) pela acumulação de capital (porque sem capital não haverá trabalho nem investimento que produzam o crescimento).

É simples –, mas é o oposto do que partidos e eleitores querem fazer na democracia portuguesa.

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com



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