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Opinião
Joaquim Aguiar 31 de Maio de 2021 às 19:51

Esquerda, direita

Não há debates sobre programas de governação e modelos de sociedade, há apenas uma fórmula de conquista e de conservação do poder.

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A FRASE...

 

"O Bloco de Esquerda é hoje a certeza de que não haverá uma maioria absoluta de nenhum partido nem a direita voltará ao poder." 

 

Francisco Louçã, Público, 23 de Maio de 2021

 

A ANÁLISE...

 

Esquerda e direita são posições políticas que articulam programas de governação com modelos de sociedade. Para conquistarem em eleições os votos que legitimem o exercício do poder, partidos de esquerda e de direita precisam de tornar atraente o modelo de sociedade que defendem e de mostrar que as medidas de política que propõem são as adequadas para atingir esses objectivos.

 

Se os votos não são suficientes e as políticas não concretizam as promessas, é preciso recorrer à denúncia dos interesses que se opõem à orientação política proposta e promove-se a radicalização do debate político até se chegar à polarização. A partir daí, as posições políticas organizam-se em blocos que recusam qualquer entendimento entre eles, porque essa é a condição de defesa e de relevância política dos partidos que integram esses blocos. Só é preciso que nenhum partido tenha maioria absoluta para que os partidos que têm menos votos usem o partido de maioria relativa para que este os leve para a área do poder, assim os compensando pelo serviço de contribuírem para a formação da maioria absoluta. Programas políticos e modelos de sociedade são ignorados perante a necessidade da formação da maioria absoluta - e mesmo os pequenos partidos passam a ser equivalentes a grandes quando se trata de evitar que a maioria absoluta se desfaça.

 

Com a polarização política, a intervenção do eleitorado na correcção da rota da política é muito limitada porque é o bloco da esquerda que produz e estimula o bloco da direita, cada um deles usa o outro para justificar os seus fracassos ou para valorizar as suas promessas, mas nenhum deles se dedica a analisar o campo de possibilidades e a definir a estratégia de aplicação dos recursos em função de objectivos de competitividade e de crescimento. Quando, em 2015, o PS aceitou a tentação do PCP (o PS só não será governo se não quiser) desistiu da consolidação dos resultados do ajustamento estrutural negociado com a União Europeia e com o FMI, ficou preso na esquerda que polarizou e deixou o eleitorado sem alternativa. Não há debates sobre programas de governação e modelos de sociedade, há apenas uma fórmula de conquista e de conservação do poder.

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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