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Joaquim Aguiar 07 de Janeiro de 2014 às 00:01

Euro: a perspectiva dos críticos

A crise do euro é uma crise europeia comum, mas cada um ficou a saber o que não pode fazer - é a primeira condição para chegar ao destino.

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A FRASE...

 

"A crise do euro terminou? Não, não terminará até que a dinâmica da dívida cante, ou talvez até que a dinâmica da dívida cante um dueto com a desvalorização interna. Ainda temos de ver se cada um dos países em crise chega ao ponto em que a descida dos salários relativos gera uma recuperação clara pela via das exportações ou em que a austeridade se traduz em diminuição do peso da dívida. Mas como euro pessimista, tenho de admitir que é agora possível ver como isto pode funcionar"

 

Paul Krugman, "The state of the euro, in one graph", The Conscience of a Liberal, 1 de Janeiro de 2014

 

A ANÁLISE...

 

A perspectiva dos críticos é mais informativa do que as promessas dos propagandistas porque têm de fazer um esforço de revisão para abandonarem o que foram as posições que antes defenderam. O que Krugman fez foi reflectir sobre o que tem sido a crise do euro como resultado de uma leitura errada do que é uma moeda comum introduzida num espaço económico em que há disparidades acentuadas de competitividades relativas. Onde houver estas assimetrias de competitividade, haverá movimentos de capitais que geram tempestades financeiras – e só poderá ser surpreendido quem for muito ingénuo.

Houve de tudo isto na trajectória que conduziu à crise, basicamente porque o programa do mercado único (que devia ter promovido a convergência de competitividades) foi "atropelado" pelo programa da moeda única para responder à queda do muro de Berlim (que nada tinha a ver com a convergência de competitividades, mas tinha tudo a ver com a formação de áreas de influência). O resto foi a incompetência dos que se iludem com o crédito.

Agora, tudo está a ficar mais claro. A crise do euro é uma crise europeia comum, mas cada um ficou a saber o que não pode fazer – é a primeira condição para chegar ao destino.


Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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