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Joaquim Aguiar 20 de Outubro de 2014 às 19:20

Indexar ao real

Todos se esqueceram de respeitar o regular funcionamento da política. Ou nem sequer chegaram a perceber o que isso era, tão entretidos estiveram a negociar entre si a dança das cadeiras.

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A FRASE...

 

"Toda a política podia ser formulada deste modo: um exercício em que o desejo se confronta com considerações de possibilidade, de desfecho incerto, condicionado pelo evoluir da situação. É assim na vida das empresas e das pessoas."

 

Daniel Bessa, Expresso, 18 de Outubro de 2014

 

A ANÁLISE...

 

A prova real da política está nos resultados. As intenções, por bem intencionadas e virtuosas que sejam, não têm qualquer valor efectivo se não forem integradas por competência política (como atingir objectivos em contextos de relações de oposição ou de antagonismo) e por capacidade estratégica (como organizar os recursos de modo a atingir objectivos em contextos influenciados pela competição de interesses e pelas contingências das relações de fortuna e de azar). Para esta prova real da política, a trajectória seguida pela democracia portuguesa durante quatro décadas só pode ser vista como a prova real da incompetência política de todos os que participaram na configuração destas relações.

 

Incompetência dos protagonistas institucionais e partidários, em primeiro lugar, porque são eles quem estabelece os termos do debate e as condições das decisões. Mas também incompetência dos avaliadores e comentadores, que se tornaram cúmplices dos protagonistas, ao comentá-los como se houvesse valor e sabedoria no que faziam e diziam. Finalmente, incompetência do eleitorado, que em 14 eleições legislativas (das quais 7 foram antecipadas), escolheu sempre a mesma política, mesmo quando mudava de protagonistas e de partidos. Formalmente, foi sempre respeitado o regular funcionamento das instituições democráticas. De facto, todos se esqueceram de respeitar o regular funcionamento da política. Ou nem sequer chegaram a perceber o que isso era, tão entretidos estiveram a negociar entre si a dança das cadeiras, para terem onde se sentar sempre que a música termina.

 

A política está sempre indexada à realidade efectiva das coisas, indiferente a privilégios e cumplicidades. 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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