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Joaquim Aguiar 19 de Outubro de 2015 às 21:05

Ingenuidades e perversões

Quando António Costa denuncia as surpresas desagradáveis que lhe foram transmitidas em reuniões com o PSD e o CDS, estará a mostrar a ingenuidade de quem formulou programas eleitorais sem ter a informação adequada.

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A FRASE...

 

"Em cada encontro que tivemos fomos sendo surpreendidos com surpresas desagradáveis, que se vão tornar públicas um dia. Há limites para a capacidade de o Governo omitir e esconder do país dados sobre a situação efectiva e real em que nos encontramos."

 

António Costa, TVI, 16 de Outubro de 2015

 

A ANÁLISE...

 

Há ingénuos que desencadeiam efeitos perversos sem terem essa intenção. Mas também há perversos que se apresentam como ingénuos para desactivarem as resistências que impediriam que essas perversões se concretizassem. Ver cordeiro onde está lobo será fatal para o rebanho.

 

Quando António Costa denuncia as surpresas desagradáveis que lhe foram transmitidas em reuniões com o PSD e o CDS, estará a mostrar a ingenuidade de quem formulou programas eleitorais sem ter a informação adequada (que poderia obter na Comissão Europeia, no Eurogrupo e na supervisão bancária que é responsabilidade do Banco Central Europeu) ou estará a procurar a justificação perversa que lhe permita abandonar as suas propostas eleitorais com o argumento de que as novas informações (que só são novas para ele) obrigam a rever os cálculos?

 

Quando António Costa prefere ficar dependente de dois partidos à sua esquerda (cada um dos quais ficaria com poder de vida e de morte sobre um governo socialista preso a esses dois apoios) em lugar de obrigar dois partidos de um Governo minoritário a ficarem dependentes das condições que colocasse para aprovar as suas políticas, está a ser ingénuo ao acreditar na conversão espontânea dos que sempre se opuseram ao projecto europeu e à disciplina do euro, ou está a seguir a via perversa de concluir que tem de se aliar aos partidos da sua direita porque afinal onde caiu o Muro de Berlim estão bombas aspiradoras para atrair e capturar os eleitores socialistas?

 

Entre a ingenuidade e a perversão há um terceiro género, a incompetência. O contrato que aceitou para impedir a vitória de Cavaco Silva não tem de levar à perversão de destruir o PS atirando Portugal para um novo programa de assistência financeira.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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