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Joaquim Aguiar 08 de Outubro de 2013 às 00:01

Moeda única sem convergência

A unificação territorial da Alemanha e a reacção francesa à perda de posição no equilíbrio de poderes europeu levou a uma troca imprudente: para ficar com o território, a Alemanha entregava a moeda. Esqueceu-se a convergência, e impôs-se a moeda única como se já houvesse convergência.

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A FRASE...

 

"Embora fosse reconhecido que os países que integraram a zona euro tinham diferenças estruturais significativas, esperou-se que o lançamento da moeda única criasse as condições para uma maior convergência real entre os países membros. Os benefícios do mercado único seriam reforçados pelas crescentes ligações comerciais e financeiras, tornando as economias mais semelhantes e sujeitas a choques comuns ao longo do tempo. Nesse contexto, esses choques comuns teriam uma resposta mais eficaz com uma política monetária comum."

IMF Staff Discussion Note, Toward a Fiscal Union for the Euro Area, September 2013

 

A ANÁLISE…

 

Esta descrição do que se passou em 1992, quando o programa do mercado único foi trocado pelo programa da moeda única, não corresponde aos factos –, mas é aqui que está a origem da crise europeia actual.

O mercado único seria o factor da convergência, numa região económica onde os Estados-membros tinham uma longa história de proteccionismos, de restrições à circulação de pessoas e de capitais, cada um com a sua moeda própria, estabelecendo condições artificiais nos seus mercados para proteger os dispositivos distributivos dentro das suas sociedades – e onde muitos tinham sido potências coloniais. Seria necessário um período longo, que não seria inferior a uma década, para se chegar a um grau de convergência que permitisse passar para o programa da moeda única.

Não foi isso o que aconteceu. A unificação territorial da Alemanha e a reacção francesa à perda de posição no equilíbrio de poderes europeu levou a uma troca imprudente: para ficar com o território, a Alemanha entregava a moeda. Esqueceu-se a convergência, e impôs-se a moeda única como se já houvesse convergência.

Contar a história como realmente foi é uma condição necessária para se responder à crise que essa história desencadeou.

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com



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