Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 25 de fevereiro de 2019 às 19:50

O partido do meio

Afinal, verifica-se que são sempre os mesmos, que continuam há demasiado tempo, sem mostrarem arrependimento ou vontade de aprender. Não se pode esperar que repetindo o mesmo com os mesmos se obtenham resultados diferentes.

A FRASE...

 

"Os socialistas, coitados, governam com quem conhecem, e não conhecem muita gente."

 

Vasco Pulido Valente, Público, 23 de Fevereiro de 2019

 

A ANÁLISE...

 

Na divisão do espaço político entre esquerda e direita, quem conseguir ser o partido do meio fica a ser a porta giratória que dá acesso aos lugares do poder. Mas se estar no meio facilita o acesso ao poder, não significa que se fique com acesso às condições de governação: o lugar do poder não é equivalente ao lugar do exercício efectivo do poder. E estar no poder sem ter as condições para governar é muito pior do que estar na oposição e criticar os que exercem o poder. Esta é a realidade com que se confrontam António Costa e o PS.

 

Chegaram ao poder pondo em movimento uma porta giratória por onde entraram os apoios parlamentares baseados em "posições conjuntas" que são incoerentes, pelo que a aliança parlamentar só é estável desde que não tome decisões que revelem a incoerência das "posições conjuntas" - isto é, desde que não governe. A estabilidade pode ser elogiada pelos responsáveis pelo regular funcionamento das instituições democráticas, mas não podem ignorar que o seu preço é a estagnação e a eterna repetição do mesmo. Ficar no meio a separar esquerda e direita, para deixar passar na porta giratória os que sustentarem a ocupação do poder, não resolve a questão central do exercício do poder, que é a articulação das preferências distributivas do eleitorado com as necessidades da formação e promoção da capacidade competitiva indispensável para que haja crescimento económico, sem o qual também não haverá financiamento para as políticas distributivas.

 

As limitações que prendem o partido do meio revelam-se quando decide remodelar o Governo num ano eleitoral, o que seria uma oportunidade para lançar iniciativas mobilizadoras para um novo projecto, para uma nova estratégia que não fosse apenas impedir as estratégias dos outros e que se afirmasse como uma revisão crítica do que não conseguiram realizar ao longo de uma legislatura. Afinal, verifica-se que são sempre os mesmos, que continuam há demasiado tempo, sem mostrarem arrependimento ou vontade de aprender. Não se pode esperar que repetindo o mesmo com os mesmos se obtenham resultados diferentes. O partido do meio está no poder, mas não governa.

 

Artigo está em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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