Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 20 de julho de 2015 às 21:00

Os ciclones financeiros

Num espaço de moeda comum, a formação de excedentes de um lado e de défices de outro produz assimetrias que acumulam dívidas (e dependências) num lado e créditos (e poder) no outro lado, gerando tempestades financeiras e crises políticas.

A FRASE...

 

"O que verdadeiramente define Bruxelas é a moeda única. A lição de Atenas para Paris (e também para Lisboa) é que a sobrevivência do euro requer mais integração política e económica (…). Vem aí uma União Europeia muito diferente daquela que conhecemos."

 

Miguel Monjardino, "Uma UE diferente", Expresso, 18 de Julho de 2015

 

A ANÁLISE...

 

Na economia, na política e na sociedade há assimetrias que geram fortes instabilidades equivalentes a tempestades –, mas os que são atingidos por essas destruições não podem dizer que não podiam fazer nada para as evitar.

 

Num espaço de moeda comum, a formação de excedentes de um lado e de défices de outro produz assimetrias que acumulam dívidas (e dependências) num lado e créditos (e poder) no outro lado, gerando tempestades financeiras e crises políticas. Mas se esse espaço de moeda comum for excedentário na economia global, quem o integra está beneficiado.

 

Numa sociedade que esteja estruturada em função das políticas do bem-estar, a assimetria entre contribuintes e beneficiários forma tensões que se tornam incontroláveis quando os benefícios se tornarem superiores aos contributos. Será inevitável e destruidora a tempestade que se forma quando os dispositivos das políticas sociais passarem a ser motivo de guerra civil.

 

Numa política que esteja estruturada em função da compra e venda de votos (compra com políticas sociais, venda pelo preço da garantia de direitos e da protecção de redes de interesses), será inevitável a formação das assimetrias, internas e externas, que geram défices orçamentais, défices externos e dívidas públicas, movimentos de capitais e transferências de activos – até que o voto se torna indiferente.

 

Tudo isto se viu e se vê na Grécia, em França, em Itália, em Espanha e em Portugal, Estados integrados em relações assimétricas que só podem encontrar dispositivos de controlo no quadro da moeda única e da União Europeia – isto é, que já estão para lá dos seus poderes nacionais, que só podem encontrar protecção no Banco Central Europeu e resolução na União Europeia.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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