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Joaquim Aguiar 30 de Março de 2015 às 20:00

República sem partidos

Serão poucos os que recordam que a ditadura em 1926 não era um programa de poder pessoal, mas sim um desígnio antiparlamentar e contra o regime de partidos. A ditadura impôs-se primeiro, só depois chegou o ditador.

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A FRASE...

 

"Guterres tem feito declarações típicas de quem não se quer deixar condicionar e prender na categoria de candidato presidencial de um partido, seja o seu, o PS, seja qualquer outro."

 

São José Almeida, Público, 28 de Março de 2105

 

A ANÁLISE...

 

É tradicional na política portuguesa transferir-se para um acontecimento político futuro o que não se sabe resolver no acontecimento político imediato. É o complemento de outra atitude política, também tradicional, que usa o discurso voluntarista dos ideais e das promessas quando se está em tempo de expansão e de euforia. É uma oscilação cíclica. O voluntarismo eufórico gera os desequilíbrios que, não tendo correcção, vão implicar o recurso aos adiamentos, que transferem para uma oportunidade futura o que não se faz no presente ou na primeira oportunidade que estiver marcada no calendário.

 

Serão poucos os que recordam que a ditadura em 1926 não era um programa de poder pessoal, mas sim um desígnio antiparlamentar e contra o regime de partidos. A ditadura impôs-se primeiro, só depois chegou o ditador. Hoje, a degradação dos partidos, que transferem o discurso voluntarista das ideologias para a imposição de marcas que concorrem na comercialização do poder político posto ao serviço de clientelas - que têm de receber para poderem dar -, reconstituiu o contexto da República sem partidos.

 

O sistema partidário já não pode produzir resoluções estáveis através de eleições legislativas porque os dirigentes partidários não têm liberdade para construir plataformas programáticas estratégicas, que corrijam os desequilíbrios internos e formem uma posição portuguesa no contexto europeu. É esta incapacidade dos partidos que implica a transferência da resolução para a eleição presidencial - que cumprirá o destino da República sem partidos.

 

Percebe-se que os candidatos presidenciais efectivos sejam os que esperam na sombra, para se apresentarem como protagonistas acima dos partidos.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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