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Opinião
Joaquim Aguiar 15 de Maio de 2017 às 20:23

Ventos do exterior

O novo referencial político com dois eixos, horizontal e vertical, define quatro quadrantes em que as sociedades se fragmentam, com pesos diferenciados e de articulação mais complexa do que acontecia no eixo horizontal esquerda-direita.

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A FRASE...

 

"Penso que as nossas instituições estão a ser atacadas de vários modos, tanto externamente - e aqui a notícia importante é a interferência russa no nosso sistema eleitoral -, como internamente pelo Presidente."

 

James Clapper, United States Director of National Intelligence até ao fim do mandato do Presidente Obama, entrevista à CNN, 14 de Maio de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Nos sistemas políticos estáveis, a clivagem esquerda-direita é o principal factor estruturante das escolhas políticas: as propostas de direita centradas na formação das condições competitivas que favoreçam a acumulação de capital e o financiamento do investimento gerador de crescimento; as propostas de esquerda orientadas para as políticas distributivas sustentadas na tributação ou na dívida e para a expansão das políticas públicas que financiem os serviços e os dispositivos de segurança social. Este referencial bipolar assegura que a evolução política se processa por alternância.

 

Esta estabilidade do referencial esquerda-direita é posta em causa quando o modo de desenvolvimento (tecnologias de informação e de transportes, liberdades de circulação e passagem das economias nacionais completas para as economias de sectores em cadeias de produção globais) gera uma nova clivagem que separa o inferior do superior, ou o nacional do global, ou o nacionalista proteccionista do cosmopolita competitivo.

 

O novo referencial político com dois eixos, horizontal e vertical, define quatro quadrantes em que as sociedades se fragmentam, com pesos diferenciados e de articulação mais complexa do que acontecia no eixo horizontal esquerda-direita. Os grupos sociais que se distribuem pelos quatro quadrantes podem neutralizar-se mutuamente, impedindo a alternância e condenando-se à estagnação económica, sem capacidade competitiva e conduzindo a conflitualidade até ao extremo da violência.

 

 Neste tipo de contexto, a crise da ordem mundial que resultará da conjugação da instabilidade do pólo hegemónico, que são os Estados Unidos, com a crise da União Europeia, que não estabelece uma orientação estratégica estável de políticas integradas, desencadeará ventos do exterior que ameaçam as ordens nacionais estabelecidas nas sociedades do Ocidente. Está aberta a época histórica das tempestades.

 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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