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Paulo Carmona 14 de Setembro de 2020 às 18:30

A encruzilhada ou o K de Portugal

Depois das moratórias e dos lay-offs, o que restará? O Governo teria de ser menos socialista, menos estatista, e menos clientelar, sem depender da extrema-esquerda e governar para as empresas ajudando-as a criar empregos e riqueza e não como vacas a serem ordenhadas. É a atitude que falta.

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A FRASE...

 

"Uma recuperação em K alarga o fosso entre vencedores e perdedores."

 Financial Times, 21 de agosto De 2020

 

A ANÁLISE...

 

Para definir a recuperação económica após a Grande Paragem, já forma utilizadas várias letras, V, U, L, W e agora a K, em que uma perna sobe, na qual estão os que recuperam rapidamente e outra perna desce com os outros. O que significa que a recuperação trará mais desigualdade entre as pessoas, as empresas e os países. Nos países, a China é um dos vencedores, ao retomar o seu crescimento, mais moderado. No lado oposto, por exemplo, os países produtores de petróleo que com o preço estabilizado nos $40 terão dificuldade em cumprir os seus orçamentos. Nas empresas temos a recuperação das grandes, com estruturas financeiras equilibradas e "bolsos fundos" para aguentar uma retoma difícil, em detrimento das menores, ou as que estão em sectores vencedores de alto valor acrescentado, contrariamente às que estão em sectores de baixo valor como os têxteis, o calçado ou a pequena empresa de turismo ou restauração.

Para Portugal, partindo de uma estrutura produtiva débil, e mentalmente agarrados a um modelo de crescimento em torno dum Estado salazarento e redistributivo, vai ser difícil acudir aos muitos perdidos com a crise, saindo da habitual caridade estatal. Há sectores ganhadores, nomeadamente o agroalimentar e a tecnologia, mas são poucos, infelizmente. No turismo, o trunfo milagreiro da recuperação a que o Governo chamou sua esfumou-se com a sua tradicional volatilidade.


Este Governo tem uma excelente oportunidade para utilizar os fundos que aí vêm para realizar todo aquele investimento público que cortou desde 2016, o pior registo da União Europeia, para o brilharete de Centeno. Mas esses fundos não criam o emprego permanente necessário. São as empresas que o fazem. Descapitalizadas, carregadas com impostos, taxas e taxinhas, alvo continuado das diatribes do Bloco e do PC, não será fácil. Depois das moratórias e dos lay-offs, o que restará? O Governo teria de ser menos socialista, menos estatista, e menos clientelar, sem depender da extrema-esquerda e governar para as empresas ajudando-as a criar empregos e riqueza e não como vacas a serem ordenhadas. É a atitude que falta. Mas não está infelizmente na natureza deste Governo, só responsável pelas coisas boas, dum país cada vez mais na perna de baixo do K.

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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